“Temos um déficit de, pelo menos, 160 promotores no estado. A Defensoria Pública tem um déficit bem maior do que o nosso, porque muitos dos réus são pobres e não podem arcar com os custos de um advogado particular”, observa Carlos Vitório.
Ele ainda cita o aumento do número de homicídios no estado como um dos fatores que contribuem para o atraso dos júris. “Temos muitos processos atrasados de homicídios, de atentados contra o maior bem do ser humano. O número tem crescido recentemente e isso tem aumentado ainda o espaço de tempo para os julgamentos” explica. Somente no fim de semana do primeiro turno das eleições em Pernambuco, por exemplo, foram registradas 62 mortes.
Apesar do número limitado de profissionais, Vitório explica que o empenho de quem atua nos julgamentos tem ajudado a dar mais rapidez aos processos, sobretudo pelo papel político e social desses eventos. “Nas cidades do interior, por exemplo, praticamente todos os habitantes ficam sabendo e se envolvem com o júri, porque é um evento em que a participação das pessoas é fundamental”, explica.
Perfil dos julgamentos
Durante o Mês Nacional do Júri, estão sendo monitorados os casos de homicídios envolvendo violência contra a mulher, crimes nos quais o réu é policial e crimes praticados em bares, casas noturnas ou arredores. Um dos casos que integra a mobilização nacional é do réu de 27 anos condenado a 20 anos de reclusão. Julgado na última segunda (7), ele foi sentenciado por estupro e homicídio duplamente qualificado, já que, segundo o TJPE, a motivação foi considerada banal e ele teria usado recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
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