Publicada em 15/11/2016 às 10h42.
Grafite diz que aceita reduzir salários e não se vê fora do Santa Cruz
Atacante relatou as cobranças que o elenco faz à diretoria para o pagamento aos funcionários.

A sinceridade é uma marca de Grafite. Principal nome do elenco do Santa Cruz, o atacante nunca se esquivou para falar sobre os problemas internos do clube e chegou até a fazer críticas ao planejamento da diretoria para a disputa da Série A. Desta vez, o assunto foi ele mesmo. Dono do maior salário do elenco, o centroavante será chamado para conversar no fim da temporada e renegociar os valores. Mesmo com contrato até o final do ano que vem, ele diz que a medida do Tricolor é válida e que aceita reduzir seus vencimentos.


- Eu concordo até pela situação atual do clube. Não adianta o Santa manter a maioria dos jogadores com uma folha de Série A. Estamos próximos de uma queda. Sabemos que os números que serão passados para o clube no ano que vem resultam em uma queda drástica de receita. 


Grafite se mostra consciente sobre a situação financeira do clube até porque mantém contato direto com o presidente Alírio Moraes. Ele disse que, em uma conversa com o mandatário, já foi sinalizado de que o planejamento do Santa Cruz para 2017 será diferente e terá de ter gastos reduzidos.

- Falei com Alírio há alguns dias e ele me falou que estava na espera do planejamento do clube para o ano que vem, ver quem interessa e quem não interessa... Até li uma matéria sobre isso. Disseram que eu e Tiago Cardoso temos os maiores salários e temos de nos enquadrar. Acho válido (reduzir os salários) sim.


A intenção do jogador é não somente continuar no Santa Cruz em 2017, como encerrar a carreira no clube. Grafite afirmou que quer atuar mais um ano antes de pendurar as chuteiras e espera seguir vestindo tricolor, apesar de reconhecer que a situação financeira do Santa não é fácil. 

- Continuar, eu quero. Queria renovar até o final do ano que vem independente de jogar a Série A ou não. Acho que vou encerrar minha carreira por aqui. Quero jogar mais um ano. Mas tudo depende do clube, sei que a situação não é das mais fáceis. O momento é delicado, mas se formos falar a verdade, esse meu contrato novo (a renovação até o fim de 2017) nem é válido. Eu ainda tenho um mês para receber do meu antigo contrato. 


A venda do atacante Keno (para o Palmeiras) e a iminente saída do meia João Paulo (possivelmente para o Botafogo) são situações dadas como certas nos bastidores do clube e consideradas positivas pelo atacante Grafite, que sabe que o Santa Cruz precisa do dinheiro. 

- O clube tem de fazer caixa porque não vem revelando jogadores nos últimos anos. As saídas de João Paulo e Keno, eu vejo como uma coisa natural. O presidente não quer se desfazer deles, mas a perda é iminente e o clube precisa fazer caixa. Não tive proposta de fora, só sondagens de alguns clubes de fora. Eu sempre deixei claro que eu quero seguir aqui. Se aparecer uma proposta e o Santa achar que deve aceitar, eu quero o melhor para o clube. Não quero ficar aqui com o pessoal achando que eu estou tirando espaço de outro jogador ou tirando dinheiro do Santa Cruz. 


Situação dos funcionários


Se o elenco está há dois meses sem receber, a situação dos funcionários do Santa Cruz é até pior: já são seis. Grafite disse que é mais importante para o clube pagar a folha dos funcionários do que a dos jogadores e revelou que essa é a situação mais complicada que passou em toda a carreira.


- É difícil chegar para trabalhar, estacionar o carro e ver os funcionários abatidos. É complicado para a direção do clube. Eu acho que a folha (de pagamento) dos funcionários é mais importante que a dos jogadores. Sei que a diretoria busca recursos e quer desbloquear os bloqueios judiciais. Eu já passei por situações complicadas no próprio Santa, no Grêmio. Mas essa é a pior.


Grafite afirmou que o elenco também cobra o pagamento dos funcionários nas conversas que tem com o presidente Alírio Moraes.

- Eu converso com o presidente e ele até falou conosco depois de um treino. Ele fala que está 24 horas por dia pensando nessa situação. A gente também cobra pela situação dos funcionários. Confiamos na palavra dele e na índole. A gente cobra para nós e cobramos para os funcionários, que são nossa base aqui. Sabemos que nosso sucesso dentro de campo depende deles. 


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