Publicada em 17/11/2016 às 09h44.
Em pouco menos de seis meses, sob o comando de Tite, a "Canarinha" foi da vergonha ao otimismo.
Ser o melhor, atingir o ápice e conquistar a admiração de todos. A sensação de ser o suprassumo em algo é inebriante. Entorpece aqueles que não sabem lidar com tanto ufanismo alheio para si. E a consequência de uma “gestão” mal administrada do sucesso é o fracasso. Para quem já esteve no topo, a queda é sempre maior.
Há dois anos, o mundo viu atônito o Brasil ser goleado pela Alemanha, em casa, por 7x1, em uma semifinal de Copa do Mundo. E, mesmo após o trauma, o País continuou sua sucessão de equívocos. Trouxe Dunga - técnico que fracassou em 2010 - e insistiu na “Neymardependência”.
Essa história tinha tudo para continuar com um tom pessimista nas próximas linhas, mas bastaram seis jogos para que o cenário nebuloso sumisse. Os motivos serão ditos logo abaixo.
Dizer que o “respeito voltou” significaria admitir que ele, um dia, foi embora. O mais correto seria apontar que, diferente do que era feito antes, não o usamos apenas com base nas glórias de outrora, mas sim como um exemplo do que podemos fazer no presente e no futuro.
Nos primeiros seis jogos das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo 2018, o Brasil ganhou apenas duas partidas, com três empates e uma derrota. O País sequer estava na zona de classificação para a competição. Ninguém mais temia a seleção mais vitoriosa do futebol. Demorou, mas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trouxe Tite, o melhor técnico nacional para espantar o risco de um vexame mundial. Uma escolha que gerou uma “bola de neve” de acertos.
Saiu o individualismo de Neymar, entrou o jogo coletivo. Gabriel Jesus vestiu com perfeição a “9”. Philippe Coutinho ganhou o espaço que já merecia há tempos. Equipe com esquema de jogo definido, defesa sólida e criatividade na frente. Liderança nas Eliminatórias. Com o novo treinador, o aproveitamento é de 100% - seis vitórias. Foram 17 gols marcados e apenas um sofrido. Da 9ª posição no ranking da Fifa, o Brasil foi para o 2º lugar. Um desempenho que trouxe de volta o encanto local e estrangeiro.
Nada de manchetes irônicas ou críticas. Sobram elogios para o Brasil pós-Tite. “Ele é um dos melhores do mundo”, disse o treinador do Peru, Gareca, sobre o comandante brasileiro. Os companheiros de Neymar na frente também foram lembrados. “A busca pelo camisa 9 terminou” e “Excepcional” foram algumas manchetes na Europa sobre Gabriel Jesus. Philippe Coutinho não fica atrás. “Um dos poucos que podem melhorar o Barcelona”, disse Xavi sobre o meia. Ídolo do Liverpool, o ex-jogador Jamie Carragher foi além: “Coutinho é o camisa 10 perfeito”. “O Brasil é a nação do futebol por excelência e seu crescimento é importante para o mundo inteiro”, declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Algozes do Brasil em 2014, os alemães não economizaram nas palavras para “comemorar” o retorno do bom futebol brasileiro. “Eles têm um time impressionante e voltaram de vez ao topo”, apontou o zagueiro Hummels. O técnico da seleção da Alemanha, Joachim Low, foi ainda mais categórico. “A equipe está em profunda renovação. Vi o jogo contra a Argentina e fiquei impressionado. O 7x1 foi definitivamente superado”, cravou.
Folha de PE
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