Publicada em 20/11/2016 às 10h02.
De jogo de azar a esporte da mente, pôquer vive ascensão em PE
Defendido como esporte, o jogo vem conquistando vários adeptos no Estado.

Um jogo em que a sorte é quase como uma carta fora do baralho e o principal oponente ainda é mesmo o preconceito. Este é o pôquer. Associado historicamente aos jogos de azar, ele é defendido como um esporte e vem obtendo sucessivas vitórias nesse sentido, além de colecionar cada vez mais adeptos pelo Brasil todo. Inclusive em Pernambuco, onde aliás já existe uma federação da modalidade com oito clubes filiados e cerca de 1.500 praticantes, segundo a entidade. 


ONDE JOGAR  



O reconhecimento legal vem sendo o ás na manga do pôquer para deixar para trás o ar de marginalizado no Brasil. Em 2010, ele foi reconhecido como um “esporte da mente”, como xadrez e dama, pela Associação Internacional de Esporte da Mente (IMSA). Dois anos depois, o Ministério dos Esportes reconheceu como entidade esportiva a Confederação Brasileira de Texas Hold’em (estilo de pôquer mais conhecido e popular do mundo atualmente). Assim o jogo, que era caracterizado como jogo de azar e como tal estava proibido pela legislação brasileira desde 1946, passou a integrar o calendário esportivo nacional. 


 

As disputas que já aconteciam ou aproveitando brechas da lei ou na clandestinidade ganharam o respaldo necessário. O que ainda se discute no Senado é a regulamentação da atividade no país. “O pôquer esportivo é uma prática de competição em que exige-se do praticante inteligência, capacidade, habilidades intelectuais e comportamentais para se obter sucesso. Um esporte que exige muita concentração, treinamento e estudo, estimulando a parte sensorial e inteligível, além de contribuir com a socialização das pessoas”, diz o texto de apresentação da modalidade no site do Ministério dos Esportes. 



Não à toa o jogo caiu na graça de vários atletas. Sobretudo os famosos. Entre eles, o ex-jogador da seleção brasileira Ronaldo Fenômeno, que de tanto jogar virou garoto-propaganda do maior site de pôquer do mundo. A maior estrela da atual seleção, Neymar, também é outro fã da modalidade. Ele, assim como outros vários jogadores, começou a praticar nas longas concentrações antes das partidas. “Para ser um jogador de pôquer de sucesso, você precisa ter muitas das habilidades que um jogador de futebol top também precisa. Foco mental é importante, resiliência, paciência, compostura e foco”, disse em entrevista a um site de pôquer.


Em Pernambuco, os amantes do jogo já se reuniam há várias décadas. Porém, com a citada inclusão da modalidade no calendário esportivo nacional pelo Ministério do Esportes, os praticantes puderam se organizar melhor enquanto instituição. Foi assim que em junho de 2013 foi fundada a Federação Pernambucana de Texas Hold’em (FEPETH). Ela ganhou maior força no final do ano passado quando foi lançado o circuito pernambucano da modalidade com várias etapas disputadas ao longo dos meses. 



“O campeonato já se tornou um dos principais do Nordeste. Hoje existem oito clubes filiados, sendo quatro no interior e quatro aqui na capital. O sucesso está sendo tão grande que no próximo mês deve ser inaugurada em Boa Viagem a maior casa de pôquer do Estado com capacidade para 150 pessoas jogando ao mesmo tempo. O circuito deve distribuir até a última etapa algo em torno de R$ 700 mil em premiações”, disse o presidente da FEPETH, Eloy Vieira. “Já contamos com cerca de 1.500 atletas e a nossa perspectiva é dobrar esse número em 2017”, completou.


A referência de Eloy à “atletas” se fundamenta justamente na diferenciação quanto a quem aposta nos tradicionais jogos de azar. “Sempre tivemos a convicção de que se trata de um esporte de habilidade mental. Ele exige muito estudo, cálculo, além do aspecto psicológico. O fato de nem sempre a melhor combinação vencer é mais uma prova de que o jogo não depende de sorte e sim habilidade, pois existe o famoso blefe”, disse o presidente da federação.


Apesar de recente, a FEPETH já está obtendo bons resultados nacionalmente. Em julho deste ano, a seleção pernambucana disputou pela primeira vez o Campeonato Brasileiro de Poker por Equipes (CBPE). “Nós conseguimos um oitavo lugar, o que é um ótimo resultado a nível nacional, considerando que a federação tem pouco tempo”, disse Massimo Di Leo, um dos líderes do ranking pernambucano, e que, inclusive, concedeu a entrevista à distância justamente por estar representando o Estado em uma competição em São Paulo.


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