“O empresário ficava com o dinheiro das licitações superfaturadas e subcontratava caçambeiros num valor irrisório através de um terceiro indivíduo”, detalhou. Além do prefeito, Romeu Jacobina de Figueiredo (PR), e do empresário, foram presos a secretária de Gestão Pública e o de Finanças do município. Dois servidores e uma pessoa, sem cargo público, também foram detidos e encaminhados para o Depatri.
Na ação, foram apreendidos documentos, seis armas de fogo e R$ 17 mil do empresário. O armamento foi encontrado em um sítio e numa residência. Todos os detidos continuam presos sob o mandado de prisão preventiva. A investigação também atingiu um posto de combustíveis na cidade.
Segundo Lapenda, a prefeitura já tinha um contrato com essa empresa, só que de transporte escolar. “Tudo indica que o esquema deu muito certo e eles quiseram ampliar. A empresa não tinha a menor condição de suportar esse serviço e, por isso, terceirizaram o serviço pagando os caçambeiros. A sede, por exemplo, não tem nem espaço para comportas os veículos”, completou.
O MPPE pretende agora descobrir quantas prefeituras integram o mesmo esquema desenvolvido em Ribeirão. A empresa aparece, também, no relatório da Operação Turbulência. Ela teria recebido a quantia de R$ 300 mil de um das empresas investigadas na ação.
O prefeito, que não foi reeleito, vai perder o foro privilegiado em 2017. Em outubro, ele foi afastado do cargo, mas retornou logo em seguida após uma decisão da Justiça. Entretanto, os bens do município continuaram bloqueados.
Jacobina foi pego na segunda etapa da operação “Terra Arrasada” por falsificar documento público. “Como os bens estavam bloqueados, ele usou um empenho que havia sido autorizado para retirar novas quantias. Ele usava o mesmo empenho e só trocava os valores no documento”, mencionou o procurador. No entanto, ele não soube precisar o valor total extraídos no artifício.
Na execução dos mandados, participaram cerca de 85 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. Somando a “Terra Arrasada”, a Polícia Civil de Pernambuco se envolveu, só entre os meses de junho a novembro deste ano, em oito operações de combate a gestões fraudulentas.
“Esse é um crime extremamente grave e, por isso, sempre fazemos um bom planejamento. A ‘Terra Arrasada’ foi uma operação com bom planejamento. Assim, todos os cumprimentos de mandados foram tranquilos”, concluiu o chefe da corporação, Antônio Barros.
G1