Publicada em 16/01/2017 às 08h54.
Apesar do momento, o desempenho turístico da Cidade chega como um aliado.
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Paula Vilaça assume a Secretaria de Turismo do Recife na segunda gestão do prefeito Geraldo Julio. Com perfil mais técnico e com trânsito no trade turístico, pois ficou à frente da Empetur por quase dois anos, Ana Paula encara o desafio em meio a um cenário de contenção de gastos. Apesar do momento, o desempenho turístico da Cidade chega como um aliado. Ano passado, Recife recebeu cerca de três milhões de visitantes, gastando, em média, R$ 200 cada um. Depois de tangenciar os 100% de ocupação no Réveillon, o trade recifense prevê índices acima de 80% para janeiro, bem diferente do ano passado.
Recife sempre teve vocação para o turismo de negócios. Continuar apostando no segmento será o foco da atual gestão?
Na verdade, a gente quer diversificar. Recife viveu uma época áurea do turismo de negócios pelos grandes eventos que sediava. Só que a cidade vem passando por um processo de requalificação e de transformação, então, temos um novo produto para ofertar ao turista: que é o Recife enquanto cidade do lazer, dos atrativos, da cultura por meio dos grandes museus, como o Cais do Sertão e o Paço do Frevo. Vamos continuar investindo na captação de eventos, no soerguimento dos negócios, afinal de contas ele também movimenta a economia. No entanto, acreditamos que, agora, Recife tem um novo posicionamento e a ideia é fazer com que esse turista não venha somente a trabalho.
Quais ações a pasta municipal deve implementar nos próximos quatro anos. De quanto dispõe em seu orçamento?
Estamos em processo de avaliação dos últimos quatro anos de gestão, analisando o que teve de positivo e de negativo. O setor de turismo de lazer foi bem avaliado nas pesquisas, que mostraram que conseguimos dar visibilidade e atingir a população com as ações distribuídas por todos os cantos da cidade. Mesmo assim, sabemos que podemos aperfeiçoar as tarefas, até porque estamos diante de um novo contexto econômico. O que estamos fazendo agora? Primeiro, incorporamos a área de esportes (como já funciona no Estado), que é um grande desafio e nos oferece uma possibilidade de atuação muito grande. Dentro do turismo de lazer, alguns programas foram aprovados pela população, a exemplo da ciclofaixa e das academias. Vemos que esses projetos fazem parte da cidade e não pertencem mais à Prefeitura. Pretendemos ainda reformatar alguns programas. Para isso, vamos focar na parceria com a iniciativa privada e na captação de patrocínio, pois cada vez mais temos que fazer mais com menos. O poder público não consegue mais suprir sozinho (em função da restrição fiscal) as demandas da população, temos que buscar ideias inovadoras e contar com a ajuda de parceiros.
Falando em restrição fiscal, o Carnaval deste ano sofrerá cortes de investimento?
Permanecemos com o patrocinador oficial, que é a Ambev, e seguimos à procura de outros patrocinadores. Houve corte sim dos investimentos da Prefeitura como um todo, e, naturalmente, isso atinge a quantidade de recursos destinada à festa de Momo. Estamos reduzindo ano a ano os investimentos sem impactar na importância do evento e nas atrações. O que fazemos é buscar alternativas para dar eficiência à festividade. Para se ter ideia, a população não vem sentindo os efeitos desse corte, assim como foi o Réveillon. Apesar de o orçamento ainda não ter sido definido, o corte será de 30%. Não temos ainda o orçamento nem do Carnaval e nem da pasta para o ano de 2017.
Certa vez o então ministro de Turismo, Henrique Eduardo Alves, disse que o Ministério dispõe do menor orçamento entre as pastas e é o que mais arrecada. Isso dificulta?
Ainda é um problema da gestão, principalmente na esfera federal, de não encarar o turismo como um investimento que traz retorno. Quando se faz investimento numa feira, por exemplo, existe o retorno e a receita vai circular na cidade. Recentemente, vi pesquisas nas quais eram comparados os investimentos em marketing feitos pelo Brasil e por vários países do mundo. A constatação foi que ainda estamos aquém no que diz respeito a promoção e a divulgação do País lá fora. E se a União repassa pouco recurso para o Ministério do Turismo, naturalmente, será menor para o estado e o município.
A Secretaria de Turismo do Estado vem adotando a máxima de voos diretos para apoiar o desenvolvimento regional. No que o Recife se beneficia com isso, já que haveria uma tendência de esses turistas migrarem para outras regiões?
Traz, sem dúvidas, impactos positivos para o Recife. Na decisão da viagem, a primeira coisa que se pensa é em como chegar naquele destino. Recife é a porta de entrada, é a cidade que se conecta com as demais capitais do Nordeste e tem voos internacionais diretos. Isso, sem dúvida, reflete na movimentação turística. Temos dados de que os argentinos estão nos visitando ainda mais depois do voo direto entre Recife e Buenos Aires. E isso ajuda na ocupação do setor hoteleiro, que tem sido muito boa. No Réveillon, foi em torno de 98%. Para aprimorar essas ações, estamos fazendo uma aproximação junto ao trade. Trabalhamos com os destinos indutores, como Porto e Fernando de Noronha, e a ideia é trabalhar em parceria para fazer com que esse turista passe uma ou duas noites no Recife, ou seja, fazer a venda do destino Pernambuco de forma articulada.
Folha PE
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