
Bombeiros do 2° GBM combatem incêndio em vegetação (Foto: Severino Carvalho / Arquivo)
A ocorrência classificada como “fogo em vegetação” lidera as estatísticas do 2º Grupamento de Bombeiros Militar (2º GBM), sediado em Maragogi e que atua em 11 municípios da região Norte de Alagoas. Ela representou 82% dos atendimentos realizados pelo Grupamento no combate a incêndios em 2016.
A prática, apesar de restrita e desaconselhada, é bastante utilizada na região para a limpeza de terrenos, em substituição à capinação. As chamas, muitas vezes, fogem ao controle e se convertem em incêndios, que causam danos à natureza e ao patrimônio, colocando em risco a vida humana. O solo submetido a altas temperaturas também perde nutrientes e pode não servir à agricultura.
“É o que chamamos de incêndio auto-provocado”, explica o capitão CB, Ezaquel César, condenando a prática.
Só no ano passado foram registrados, pelo 2º GBM, 58 casos de fogo em vegetação, que representaram 82% das ocorrências de incêndio. Sinistros em casas e carros, somaram apenas 4 casos cada um, 12% do total.
As ocorrências de fogo em vegetação começam a despontar a partir de setembro, quando a temperatura se eleva. Neste mês de 2016, foram registrados 14 casos. Em dezembro, 16. Ano após ano, os números só se elevam.
Só na primeira semana de janeiro de 2017, o 2º GBM já atendeu cinco ocorrências de fogo em vegetação, dentre as quais a que calcinou três hectares de manguezal em São Miguel dos Milagres, entre as praias do Toque e Porto da Rua.
Um estudo está sendo produzido pela Área de Proteção Ambiental (APA) para dimensionar os impactos causados à natureza, dentro da maior Unidade de Conservação Marinha do País.
Este tipo de ocorrência também sobrecarrega e extenua a tropa do 2º GBM, que poderia estar agindo em outras frentes, mas acaba desprendendo esforços para combater incêndios que poderiam ser evitados. Em São Miguel dos Milagres, os bombeiros lutaram por mais de 12 horas, junto com a comunidade, para debelar as chamas e controlar o incêndio.
GW