
O presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit-PE), coronel Clóvis Ramalho, afirmou, nesta quarta-feira (25), que está investigando o relato de uma suspeita de ataque ocorrida na tarde de terça-feira (24), em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Segundo ele, uma representante da entidade foi até o hospital responsável pelo atendimento ao surfista. O rapaz afirmou que um filhote mordeu seu dedo.
Ramalho afirmou que é preciso saber como ocorreu o ferimento. Só assim, será possível estabelecer se o caso entrará nas estatísticas oficiais de ataque de tubarão em Pernambuco. Desde 1992, segundo o Cemit, ocorreram 61 incidentes e 24 óbitos no estado.
De acordo com o coronel, a informação precisa ser checada, diante dos dados repassados pela vítima. "É estranho, porque não tenho conhecimento de filhote de tubarão atacando. Eles fogem quando você se aproxima, eles têm medo", explicou Ramalho.
O coronel informou, ainda, que é necessário averiguar as circunstâncias do suposto ataque. "Geralmente, a pessoa que é vítima de tubarão sai da água desorientada, perturbada. E pelos relatos que ouvimos na praia, ele saiu da água tranquilamente, sem pedir amparo de ninguém. Ele pode ter sido mordido por outro animal marinho como peixe ou até mesmo se arranhado em alguma pedra", avaliou.
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Post compartilhado nas redes sociais denuncia o suposto ataque (Foto: Reprodução/Facebook)
Por meio das redes aociais, o surfista e o pai dele relataram que o fato aconteceu nas proximidades do antigo Hotel Atlante Plaza, onde já ocorreu um ataque, conforme as estatísticas do Cemit. Apesar dos relatos publicados nas redes sociais, o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco informou que não foi acionado para nenhuma ocorrência do tipo e que desconhecia o caso.
Em conversa com o G1, Arthur Andrade afirmou que relatou o caso aos bombeiros, mas que não foi contatado pelo Cemit. "Os médicos não souberam me dizer que animal me mordeu. Não precisei nem tomar ponto, estou bem e retomando as minhas atividades", explicou o jovem, de 21 anos.
O rapaz conta que deu um mergulho na hora do almoço, quando acabou sendo surpreendido por um ‘cação pequeno’, que o mordeu de raspão na mão. “Ainda bem que deu tempo de ele puxar o braço e não acontecer algo mais sério”, escreveu o pai.
O jovem apontou ainda que a família não sabe se vai tomar alguma providência, mas garantiu que não toma mais banho no local. "Eu estava na água. Sei que era um cação [que me atacou] pelo tamanho e aparência da cauda", finalizou. No local, há placas alertando sobre o risco de tubarões.
No Brasil, o único ataque registrado em 2015 foi em Fernando de Noronha, o primeiro ocorrido no arquipélago. No dia 21 de dezembro, um turista paranaense, Márcio de Castro Palma, de 32 anos, perdeu a mão e uma parte do braço direito após ser mordido por um tubarão durante um mergulho na baía do Sueste.
A vítima foi socorrida para o Hospital São Lucas e, depois, transferida para um hospital particular no Recife. O banhista disse que só percebeu o animal quando estava a aproximadamente 40 centímetros dele.
Em Pernambuco, a contagem começou a ser feita pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) há 24 anos, quando os casos passaram a ser mais recorrentes no estado. Desde 1992, 24 pessoas morreram vítimas de ataques no litoral pernambucano.
Segundo especialistas, os fatores responsáveis por esse aumento na região foram a expansão urbana, o assoreamento dos rios e a construção do Porto de Suape, no município de Ipojuca, Litoral Sul. O Corpo de Bombeiros orienta os banhistas a respeitar as placas de aviso e não tomar banho com água acima do nível da cintura.
G1