Publicada em 05/02/2017 às 08h48.
Ritmo típico do Carnaval baiano, afoxé ganha espaço em Pernambuco
Terça Negra do Recife, criada em 1999, deu visibilidade ao afoxé.

 

 

O ritmo de origem africana tem caído cada vez mais no gosto dos pernambucanos / Foto: Guga Matos/ JC Imagem

O ritmo de origem africana tem caído cada vez mais no gosto dos pernambucanos

Expressão típica do Carnaval baiano, o afoxé tem conquistado cada vez mais o povo pernambucano, principalmente a partir da criação da Terça Negra do Recife, nos anos 2000. A relação do ritmo com o candomblé vem do seu surgimento, ainda no continente africano e, por isso, a manifestação cultural que homenageia os orixás tem um quê místico.

 


 

“O afoxé é chamado de candomblé de rua. É como se os rituais saíssem de dentro dos terreiros e ganhassem as ruas”, explica Demir da Hora, que trabalha há mais de uma década na produção da Terça Negra e integra o Movimento Negro Unificado (MNU), responsável por trazer o ritmo para Pernambuco nos anos 1980. Até o fim da década seguinte, apenas quatro grupos de afoxé existiam no Estado. Hoje já somam mais de 30. 


Para Demir, o crescimento das últimas décadas é atribuído ao espaço dado à manifestação pelo poder público e ao empoderamento negro dos grupos junto às suas comunidades. “Antigamente, os grupos de afoxé não tinham onde se apresentar. Hoje, eles têm uma programação que não se limita ao Carnaval, mas que acontece o ano inteiro. Além disso, a necessidade de se afirmar em suas comunidades levou os grupos a se fortalecerem e a se organizarem.” 


A Terça Negra, criada em 1999 em um estacionamento na Rua Siqueira Campos, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, foi responsável por dar mais visibilidade ao movimento. Dois anos após seu nascimento, o evento, a partir de uma parceria com a Prefeitura do Recife, migrou para um dos maiores pontos festivos da capital: o Pátio de São Pedro. “Desde 2001 a prefeitura conta com um Núcleo de Cultura Afro-Brasileira. O objetivo é fortalecer a cultura afro e ter a Terça Negra como parceira, nesse sentido, é fundamental. É benéfico não só para a população do Recife, mas para o turista que pode vislumbrar um pouco mais da riqueza da nossa cultura”, defende Alzenide Simões, gestora do núcleo. 


APOIO

Para o representante do MNU, apesar do reconhecimento, ainda falta apoio do poder público. “Antes, tínhamos quatro Terças Negras por mês. Ano passado, o número caiu para um evento mensal. Este ano, ainda não sabemos como ficará”, lamenta Demir da Hora. A gestora do núcleo de cultura afro da prefeitura considera a reivindicação do movimento pertinente. “Enquanto poder público, temos que ser transparentes. O corte nacional no setor cultural nos atingiu em cheio. Qualquer estrutura mínima para que o evento aconteça tem um custo. A Terça Negra é uma prioridade e queremos voltar a ter quatro edições no mês”, afirma Alzenide.


O primeiro evento especial de Carnaval deste ano aconteceu no último dia 31 de janeiro e reuniu os ritmos do maracatu, coco e afoxé. Na próxima terça (7), a festa no Pátio de São Pedro fica sob o comando de quatro grupos: Maracatu Nação Encanto do Pina, Coco das Estrelas, Afoxé Obá Iroko e Banda Afro Oba Nijé, a partir das 20h. A programação ainda inclui eventos nos dias 14 e 21 de fevereiro.


JC Online

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