Publicada em 17/02/2017 às 08h50.
SDS começa a divulgar número de estupros, roubos e violência doméstica
Secretaria quer dar maior transparência às ações.

 

Secretaria quer dar maior transparência às ações / Alexandre Gondim/JC Imagem

Secretaria quer dar maior transparência às ações
Alexandre Gondim/JC Imagem


Desde a última quarta-feira (15), a Secretaria de Defesa Social (SDS) mudou a metodologia de divulgação dos dados da criminalidade no Estado, acrescentando aos dados de homicídios – que desde 2006 eram mostrados no site da entidade – estatísticas de crimes contra o patrimônio (roubos, em sua maioria), violência doméstica e estupros. A realidade da violência, agora disponível para a população de uma forma mais ampla, impressiona negativamente: as quatro modalidades tiveram aumento em 2016, na comparação com 2015.


Os roubos subiram 35,1% no Estado, na esteira da grande procura por aparelhos de telefone celular (estima-se que metade das ocorrências tem o dispositivo como alvo). Apenas no Recife, o aumento foi de 26,3%. Homicídios tiveram 15,1% de acréscimo em Pernambuco entre os dois anos. No Recife, os registros de violência contra a mulher subiram 10,9%, enquanto no Estado, o total foi de 2,9%. Também na capital, a notificação por estupros aumentou 4,6%, enquanto no interior do Estado houve redução de 3,9%.


Segundo o gestor da Gerência de Análise Criminal e Estatística (Gace) da SDS, Jonas Moreno, a nova metodologia visa dar maior transparência às ações do governo. “É uma adequação ao que prevê a Lei de Acesso à Informação. Além disso, estamos disponibilizado para a população relatórios de acompanhamento da produtividade das forças de segurança”, diz. Os dados são relativos a apreensões de armas, drogas e de pessoas encaminhadas às delegacias, por exemplo, e também podem ser vistos no site da SDS.


Para Moreno, alguns resultados, como o aumento nas notificações por estupro, são reflexos de mudanças na mentalidade das mulheres. “O maior conhecimento da Lei Maria da Penha faz com que a tendência seja de uma maior tomada de consciência sobre a situação, e daí a uma maior procura por ajuda”, diz.


Ele ainda explica que a relação nominal e diária das vítimas de homicídio foi suprimida por respeito à privacidade das famílias das pessoas mortas. “Além disso, as investigações mostram que alguns casos que eram originalmente registrados como assassinato, de fato não eram”.


RESPOSTA

Para a pesquisadora Ronidalva Melo, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), os dados relativos à violência deveriam ser divulgados, mas chama atenção para o momento em que as estatísticas foram disponibilizadas para o público. “Justamente quando o item mais impactante – o homicídio – tem grandes aumentos, o governo passa a mostrar outros dados. Não deixa de ser uma forma de diluir um resultado muito negativo”, diz.


“O número de crimes contra o patrimônio sempre foi escandaloso, e nunca havia sido divulgado. A sociedade precisa saber com quem está lidando”, explica a professora, que discorda da supressão dos nomes das vítimas de homicídios. “Vai tornar difícil a quantificação dessas pessoas pelos pesquisadores”.


JC Online

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