Publicada em 28/02/2017 às 07h45.
Massa tem bom primeiro dia de testes e elogia Mercedes e Ferrari
No fim do dia, Massa completou nada menos de 103 voltas, enquanto um GP no traçado espanhol de 4.655 metros tem 66 voltas.

(Reprodução do Globo Esporte)

 

Como o próprio Felipe Massa disse, nesta segunda-feira no Circuito da Catalunha, em Barcelona, o resultado do primeiro dia de testes da pré-temporada, notadamente em um ano de mudança profunda do regulamento, não é por demais representativo. Mas também, como comentou, “É sempre bom ter um feeling positivo do carro”. Foi o que sentiu do FW40-Mercedes da Williams.


No fim do dia, Massa completou nada menos de 103 voltas, enquanto um GP no traçado espanhol de 4.655 metros tem 66 voltas. Mais importante ainda: sempre com um bom ritmo, ao menos com os pneus macios. A Pirelli distribuiu para as dez equipes da F1 todos os tipos de pneus que produz, fica a critério de cada uma escolhê-los. Com os macios Massa registrou 1min22s076, terceiro melhor do dia.


Os mais rápidos foram Lewis Hamilton, com a nova Mercedes W08 Hybrid, 1min21s765 (73 voltas), com pneus macios, e Sebastian Vettel, com a surpreendente Ferrari SF70H, 1min21s878 (128 voltas), de pneus médios.


- Tivemos um primeiro dia bastante proveitoso. Não enfrentei um único problema e percorremos importante quilometragem para os engenheiros recolherem os dados. É difícil fazer uma análise depois de um único dia, mas gostei do nosso carro. Com os pneus médios não nos achamos, mas com os macios seu comportamento foi bem melhor, ficou mais fácil pilotá-lo - explicou Massa.


Massa ficou em terceiro no teste (Foto: . )


Concorrência já assusta

Como permaneceu a maior parte do tempo na pista, para cumprir o extenso programa de testes organizado pela Williams, Massa pôde ver de perto, na frente, atrás, do lado, a maioria dos demais nove modelos da F1 este ano, bem distintos dos de 2016 por conta do novo regulamento. Massa falou sobre o que viu:


O mundial começa dia 26 de março em Melbourne, Austrália. A Ferrari não programou nenhum contato de Vettel ou de alguém da escuderia com a imprensa. Muita gente no paddock duvidou do resultado de Vettel. Se o SF70H se mostrar competitivo como no primeiro dia, será uma surpresa, por causa de o grupo de projetistas ser formado por novatos na F1.


Mais prazer na pilotagem

A exemplo de Fernando Alonso, que apesar de ter completado somente 29 voltas com a McLaren MCL32-Honda, disse ter gostado muito dessa nova F1, Massa também aprovou a mudança. Comentou ter se divertido com a nova realidade técnica da competição.


- O carro se comporta de maneira muito diferente. No simulador da Williams a gente tinha visto que seríamos bem mais rápidos. E hoje confirmei que freamos bem mais dentro da curva, a velocidade nas curvas subiu muito - disse.


Não são poucos os que veem ainda maior dificuldade de ultrapassar, agora, com as novas regras. Massa é um deles:


- Freando mais próximo das curvas e com esses carros mais largos prevejo que as ultrapassagens serão bem mais difíceis. Acredito, também, que veremos mais toques entre os carros - disse.

Os novos pneus da Pirelli agradaram a todos:


- Eles são mais constantes, a degradação, bem menor, podemos exigir mais deles por mais tempo. Com isso assistiremos a corridas mais rápidas, mais curtas, por causa do aumento de velocidade, e com menos pit stops, em razão do desgaste menor dos pneus - disse.


Na conversa com a imprensa internacional Massa admitiu ter exposto a Claire Williams e Mike O'Driscoll, os diretores da Williams, sua preocupação com alguns setores da organização, antes ainda de assinar o contrato. Ele não falou, mas sabe-se que os fez ver a necessidade de mexer no grupo responsável pelo projeto dos carros da escuderia, reforçá-lo.


Felipe Massa fica em terceiro nos testes (Foto: Divulgação)


Novos engenheiros

O FW40 ainda teve a assinatura de Ed Wood, coordenador, e Jason Somerville, aerodinâmica, mas um novo staff técnico já trabalha no desenvolvimento do monoposto, coordenado por Dirk de Beer, ex-Lotus e Ferrari. Em breve Paddy Lowe, ex-Mercedes, assumirá a direção técnica. O FW41 de 2018 será concebido por outro grupo de projetistas, sob a liderança de Lowe.


A economia de Massa para falar, nesta segunda-feira, do potencial do FW40 talvez se relacione a esse fato. Por seus conceitos básicos serem ainda os implantados no primeiro modelo da era híbrida, em 2014, e depois logicamente desenvolvidos, a possibilidade de o novo carro da Williams crescer provavelmente é limitada. Massa parece saber disso. Em 2016, a equipe ficou em quinto entre os construtores, com 138 pontos, diante de 173 da Force India, quarta, com um orçamento bem menor.


Mas a hora é de aproveitar o começo promissor da Williams. O bom desta temporada é que como o regulamento de 2018 será o mesmo deste ano, a maior parte do trabalho de desenvolvimento nos monopostos atuais poderá ser repassada aos de 2018. Assim, Lowe e Dirk de Beer podem dar outro encaminhamento a Williams já no campeonato deste ano.


O canadense Lance Stroll, de apenas 18 anos, assume o FW40 nesta terça-feira. É sua estreia oficial na F1. Realizou quase 7 mil quilômetros de testes com o modelo de 2014 da Williams para ganhar experiência. Massa vai acompanhar o seu trabalho de perto. Tem auxiliado Stroll, campeão europeu de F3 em 2016, a entender melhor os grandes desafios da F1.

 

 

Globo Esporte

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