Publicada em 01/03/2017 às 08h11.
Recifense é espancado em Portugal e denuncia xenofobia
Iran Barbosa da Silva contou que dois portugueses o atacaram com fortes golpes no rosto por ele ser brasileiro.


Reprodução/Facebook
Familiares de Iran já se organizam para buscar ajuda e querem punição para os agressores
Reprodução/Facebook

O estudante recifense Iran Barbosa da Silva, de 24 anos, foi espancado após sair de uma festa na madrugada desta terça-feira (28), na cidade de Covilhã, em Portugal. Em seu relato, Iran contou que dois portugueses o atacaram com fortes golpes principalmente no rosto, apenas por ele ser brasileiro. 


Em entrevista exclusiva, o estudante contou que estava a caminho de casa sozinho e quando entrou em uma rua escura foi surpreendido pelos dois homens. "Eu pensei que eram dois conhecidos, mas simplesmente começaram a me bater sem nenhum motivo", disse Iran. Para ele, a agressão foi motivada por racismo e xenofobia. 


Ao relembrar os momentos de violência que sofreu, o brasileiro conta que reconheceu o sotaque português dos homens. Iran explica que os agressores falavam: "Toma, zuca. Isso é o que mereces". O termo 'zuca' é a abrevaição de 'brazuca', como os brasileiros são chamadas em Portugal. 


"Eles me deram socos e chutes até eu perder o equilíbrio e caí no chão. Depois disso, eles saíram andando e foram embora como se nada tivesse acontecido. Parecia que só queriam descarregar a raiva", lamentou o estudante, que mora em Portugal desde 2015.


Assustado com a violência gratuita que sofreu, Iran recebeu ajuda de um amigo do Cabo-Verde que o levou para casa de carro. "Meus amigos me ajudaram e fizeram curativos nos meus machucados porque eu estava sangrando muito", disse. 


Nas redes sociais, Micheline Noêmia, mãe de Iran, lamentou o ocorrido e acusou os portugueses de xenofobia e racismo. "O atacaram simplesmente por sua cor de pele, cabelo cacheado amarrado, usar brincos. É incrível como nos dias de hoje ainda estamos sofrendo desse mal que as pessoas sejam tão cegas e tragam tanta amargura em seus corações, quanta intolerância", postou. 


Em 2009, um estudo publicado pela Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA, na sigla em inglês) indicou que 44% dos 64 mil brasileiros que residem legalmente em Portugal já teriam sofrido algum tipo de discriminação. Na época, a pesquisa apontou que 74% dos brasileiros consideram alto o nível de discriminação e racismo em Portugal.


O estudante ainda não prestou queixa formalmente após o ocorrido. Do Recife, os familiares de Iran já se organizam para buscar ajuda e querem punição para os agressores. "Estamos enfretando dificuldade por conta do feriado de Carnaval, mas vamos entrar em contato com o Consulado de Portugal para ter algum apoio", informou o Pedro Josephi, primo da vítima. 


LeiaJá

Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI