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A rambla de Barcelona é como o calçadão de Boa Viagem. Moradores estão sempre passando por lá, por rotina ou descanso, e turistas querem conhecer. Imagine o susto que levou a jornalista pernambucana Taíza Brito, 48 anos, ao saber que o lugar, onde esteve no dia anterior, foi alvo de um atentado terrorista brutal, de deixou pelo menos 13 mortos e 100 feridos. "É o local mais emblemático, turístico, no Centro da cidade. Estive lá ontem [quarta], quase no mesmo horário, com amigo que estava visitando a cidade”, disse.
Taíza mora há dois anos e meio em Barcelona, segundo maior município da Espanha, com o marido catalão e três filhos. Praticamente desde que chegou, o país mantinha o nível 4 de alerta antiterrorista, o que já despertava desconfiança na natureza medrosa dela. “Sempre ando desconfiada, inclusive de metrô. Mas tento não passar esse sentimento aos meus filhos”, disse. Após a tragédia, o nível foi elevado para 5, o máximo da escala.
A designer pernambucana Camila Sampaio Carreiro, 28 anos, que também mora em Barcelona, compartilhava o mesmo estado de inquietude. Ela foi morar na cidade com o marido há mais de um ano e sempre usou o metrô para ir ao trabalho, que fica a quatro estações da Praça Catalunha, um dos extremos da rambla. “Eu vivia numa tensão, sempre naquela angústia de pensar: ‘Será que pode ter atentado dentro desse metrô?'”.
Camila estava se preparando para sair do escritório quando soube do atentado pela internet. Naquele momento, ainda não estava confirmado, mas as autoridades já orientavam a população a não sair de casa nem usar o transporte público. “As pessoas ainda estão muito aterrorizadas, mas é o que mais se fala aqui, que isso era esperado, porque Barcelona está no verão, com muito turista, e a rambla é um ponto muito visto, apesar de ter sempre muito policial”, afirmou.
A designer comentou que muitos barcelonetas são contra o fluxo intenso do turismo na cidade. “Na volta do trabalho para casa, eu dividi um táxi com uma menina daqui que disse: ‘Pelo menos assim vai diminuir a quantidade de turista que a gente recebe anualmente”, contou.
Na visão de Taíza, a indisposição é contra turistas que não respeitam regras de civilidade. “Barcelona é uma cidade de acolhida e de paz. A questão é mais pelo incivismo, e não por repúdio. É porque bagunçam muito, bebem muito, fazem sexo nas ruas, nem todos, claro”, explicou.
A jornalista relatou que houve muita solidariedade após o ataque. Além das pessoas que tentaram socorrer vítimas que morreram nos seus braços, muitos foram doar sangue, o que encheu o estoque do hemocentro. “Teve tradutor que foi se oferecer nos hospitais para ajudar na comunicação de quem não fala espanhol dos turistas vitimados”, disse.
Segundo Taíza, nesta sexta-feira (18), ao meio-dia (horário local), haverá um minuto de silêncio em homenagem às vitimas na Praça Catalunha para mostrar que a população não tem medo do terrorismo. O evento terá a presença do presidente do governo local da Catalunha, Carlos Puigdemont, e da prefeita de Barcelona, Ada Colau.
FolhaPE