Publicada em 01/03/2019 às 10h54.
Funerárias processam pastor acusado de simular ressurreição
Empresas dizem ter sido enganadas por igreja a participar de farsa e querem ser indenizadas por danos à sua reputação.

 

Vídeo do pastor Alph Lukau em que ele 'ressucita' um homem viralizou na África do Sul — Foto: Facebook Alph Lukau/ BBC
Foto: Facebook Alph Lukau/ BBC


Um vídeo do pastor Alph Lukau, em que ele aparece gritando "levante-se" para um homem deitado em um caixão, que, em seguida, se ergue e é celebrado por fiéis, viralizou.


As empresas funerárias dizem que foram manipuladas a se envolverem na farsa organizada do lado de fora da igreja de Lukau, próximo a Joanesburgo. O caso foi ridicularizado e criticado por muitos no país.


"Não existem milagres. São tentativas de ganhar dinheiro com o desespero do nosso povo", disse a Comissão para a Promoção e Proteção de Comunidades Culturais, Religiosas e Linguísticas à emissora estatal da África do Sul.


 

Funerárias alegam danos à sua reputação


 

Três empresas funerárias que dizem ter sido enganadas agora estão tomando medidas legais por danos à sua reputação.


A Kingdom Blue, a Kings & Queens e a Black Phoenix disseram à imprensa local que os representantes da igreja os enganaram de diferentes formas.


"Supostos membros da família do falecido" disseram à Kings & Queens que tiveram um "conflito com um outro fornecedor de serviços funerários".


Os clientes também supostamente colocaram "adesivos da Black Phoenix em um carro particular" para parecerem críveis para a Kings & Queens quando foram contratar um carro fúnebre da empresa. O caixão, dizem os diretores de funerárias, foi adquirido da Kingdom Blue.


A igreja de Lukau, a Alleluia Ministries International, não respondeu ao pedido de comentários da BBC.


 

Debate sobre falsos pastores


 

O site de notícias Sowetan relata que a igreja recuou em sua alegação de ter realizado uma ressurreição, dizendo que o "morto" já estava "vivo" quando foi levado ao local.

O pastor havia apenas "completado um milagre que Deus já havia realizado", disse a Alleluia Ministries International ao Sowetan.


No entanto, alguns sul-africanos usaram a hashtag #ResurrectionChallenge (#DesafioDaRessureição) nas redes sociais para tratar do caso de forma bem-humorada.


Este é o caso mais recente a chamar atenção para líderes religiosos no país que dizem a suas congregações terem realizado feitos extraordinários.


No ano passado, um pastor sul-africano foi considerado culpado de agressão por ter pulverizado um inseticida doméstico sobre os fiéis alegando falsamente que isso poderia curar câncer e infecção pelo vírus HIV.

 

G1

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