
Logo após o massacre de Suzano, em São Paulo, vídeos e fotos com imagens das vítimas mortas foram muito compartilhados nas redes sociais. Esse tipo de prática, tão comum em grupos no WhatsApp, é crime. A informação é do UOL. A prática pode ser enquadrada no artigo 212 do Código Penal, que diz que vilipendiar -- tratar como indigno ou rebaixar -- um corpo pode dar pena de 1 a 3 anos de prisão e multa.
Como apurou a equipe do jornal O Estado de S. Paulo, o tio de uma das vítimas, que é professor na rede pública de ensino em São Paulo, ficou sabendo do atentado porque alunos dele começaram a receber pela internet imagens do ocorrido.
Os dois atiradores chegaram à Escola Estadual Raul Brasil por volta das 9h40 da quarta-feira (13). Já às dez da manhã, um tio de Douglas Murilo Celestino, de 17 anos, -- morto no atentado -- professor em outra escola de Suzano, começou a ser informado pelos alunos de um ataque no colégio próximo.
"Não conseguia mais dar aula porque os alunos começaram a receber mensagens, fotos e vídeos no WhatsApp", contou Robson Belchior Chaves, de 42 anos, à reportagem do Estadão. "Quando deu 11 horas, minha esposa me ligou falando que estava com a mãe do Douglas e que ele não atendia o celular", afirmou.
Também conversou com a reportagem do Estado o psiquiatra Daniel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Divulgar essas informações pode perpetuar o mesmo comportamento", explicou.
O neuropsiquiatra Dartiu Xavier, professor da Faculdade Paulista de Medicina, alertou que casos como esse devem ser tratados com distanciamento e respeito, sem banalização. A exposição às informações, diz, afeta as pessoas de maneira diferente e, por isso, é preciso cuidado. "Às vezes, um padrão de comportamento acaba sendo imitado. Isso vale para agressão e também para suicídio. Acaba servindo de estímulo", comentou.
Um estudo publicado pela Universidade do Alabama, nos EUA, em 2017, concluiu que a divulgação de conteúdos relacionados a tiroteios em escolas podem influenciar novos atiradores a agir.
Se você recebeu esse tipo de imagens em qualquer rede social, há mecanismos para denúncia.
No Facebook, quando você clica nos três pontinhos no canto superior direito da publicação aparece a opção. Selecione "Dar Feedback sobre essa publicação" > "Violência"> Enviar.
No Twitter, é possível clicar na seta que também está na parte superior direita do tweet. Selecione "Denunciar Tweet" > "Mostra Imagem Sensível ou imprópria".
No WhatsApp, esse tipo de denúncia também existe. Abra sua conversa > Clique no nome (ou número do contato na parte superior do chat) > Clique em “Dados do contato”. Desça toda a tela e selecione "Denunciar Contato" > "Denunciar". Este recurso funciona tanto em conversas particulares quanto em grupos. O denunciado, envolvido com a divulgação das imagens, pode ser banido da rede social.
JCOnline