Publicada em 30/03/2019 às 12h20.
Cinemateca pernambucana faz aniversário e preserva ativamente nosso cinema
Acervo congrega mais de 4 mil peças. Espaço oferece serviços gratuitos, mas visitas de escolas devem ser agendadas

Créditos: Kleyvson Santos/Folha de Pernambuco

 

A Cinemateca Pernambucana acaba de completar um ano, e os amantes da História e do Audiovisual têm todos os motivos para comemorar. Os números impressionam: ao longo do período, foram mais 3.300 visitantes e 12 sessões nas salas do Derby e de Casa Forte. Hoje, no portal da instituição existem 255 filmes online - mas o número daqueles que estão armazenados no servidor do órgão é, por enquanto, de 520 obras.


O espaço foi criado como forma de fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual em Pernambuco, ajudando a preservar e difundir sua produção. Além de filmes, o acervo reúne cerca de quatro mil itens extremamente variados (entre os quais, roteiros, cartazes, fotografias, indumentárias e câmeras) e oferece, periodicamente, cursos gratuitos relacionados à sétima arte.


De acordo com Ana Farache, que coordena o setor de Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, ao qual a Cinemateca está subordinada, há realmente muitos motivos de alegria, e a perspectiva nos próximos meses é de ampliar o acervo, passando a receber filmes produzidos em outros estados nordestinos além de Pernambuco. Os filmes vêm sendo todos digitalizados e preservados, paralelamente, em fitas do tipo LTO, "o suporte mais seguro que existe atualmente". Desta forma, as obras são ao mesmo tempo organizadas, preservadas e difundidas.


No momento, o acervo é composto de obras que vêm desde o Ciclo do Recife (anos 1920) até os dias atuais, com doações de roteiros, figurinos e filmes de diversos diretores como Hilton Lacerda ("Tatuagem"), Gabriel Mascaro ("Boi Neon") e Camilo Cavalcante ("A História da Eternidade"), entre mais de cinquenta nomes. Ana faz questão de frisar que o espaço não é um museu. "Não somos um depósito, um lugar de guardar coisas. Nossa intenção é preservar, sim, mas principalmente difundir, contribuindo para a construção permanente de nossa identidade e para a inclusão cultural", destaca.


Acervo Cinemateca

 

Os serviços da Cinemateca são gratuitos e, a não ser no caso de visitas de grupos, que precisam ser agendadas, o acesso é livre entre as terças-feiras e sábados. O espaço funciona numa área de 400m2, situada no primeiro andar do Museu do Homem do Nordeste (na avenida Dezessete de Agosto, 2187, em Casa Forte). O espaço é inclusivo, contando com elevador, piso podotátil (para auxiliar na movimentação de pessoas cegas), e há visitas guiadas com audiodescrição e Libras. Há muitos livros, dissertações e teses alusivos ao cinema pernambucano, para consulta, e a Cinemateca recebe constantemente a visita de escolas e de pesquisadores especializados em cinema.

 

A Filha do Advogado


Até o momento, a Cinemateca promoveu doze sessões de cinema. A próxima ocorre neste sábado (30), às 16h, no Cinema do Museu (Casa Forte). A obra a ser exibida é "A Filha do Advogado" (1926) de Jota Soares. Após a exibição, haverá um debate a respeito do filme e da produção do Ciclo do Recife, com o professor e pesquisador Paulo Cunha, da Universidade Federal de Pernambuco.


Nos dias 24 de abril e 08 de maio, o cineasta Valdir Oliveira e o pesquisador Ivan Luis Lima Cavalcanti já têm palestras agendadas, falando sobre a coprodução entre o Brasil e Portugal e sobre as possibilidades do cinema como fonte histórica em sala de aula.


Mispe está sem funcionar há 11 anos

 

Enquanto a Cinemateca Pernambucana consolida sua atuação, o Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (Mispe) está completando quase 11 anos de ostracismo. Inaugurado em 1970, dentro da Casa da Cultura, ele também abrigava registros preciosos da cultura pernambucana, como entrevistas com notáveis como João Cabral de Melo Neto, Cícero Dias e Gilberto Freyre.


Em 1992, o Mispe foi transferido para um casarão na rua da Aurora, onde funcionou por 16 anos - até que, em 2008, foi "temporariamente" transferido para o seu local de origem, a Casa da Cultura, por conta de problemas na estrutura do prédio. São cerca de 20 mil peças, entre películas, partituras, slides, postais, recortes de jornal, discos e fitas de áudio e de vídeo, entre outros. Esse acervo riquíssimo não está disponível ao público, e só deve ser novamente exposto quando a sede da rua da Aurora for reaberta.


Consultada sobre o assunto, a assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Cultura, responsável pelo museu, informou por e-mail que existe um projeto de requalificação do espaço na Casa da Cultura, onde está o acervo do Mispe, e que os recursos, destinados por meio de emenda parlamentar do deputado federal Tadeu Alencar (PSB) somam R$ 800 mil.


"Foram incluídas nesse projeto de requalificação do espaço obras estruturais e de acessibilidade, compra de equipamentos, melhoria elétrica e hidráulica, além de climatização. A previsão é que o edital de licitação seja lançado no início do segundo semestre e as obras devem durar 10 meses", diz a nota, sem dar detalhes sobre se haverá, enfim, a reforma do espaço na rua da Aurora, bem como vai ficar o acesso do público ao equipamento cultural.

 

Folha PE

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