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A confusão familiar, publicamente
revelada nos últimos dias, dentro do poderoso clã da família Campos em
Pernambuco, tem forte potencial para gerar uma intensa crise política no
estado, com repercussões ainda difíceis de mensurar e que, certamente, deve
repercutir no resultado das eleições municipais desse ano. Desde acusações de
traição a graves denúncias de corrupção e prevaricação no sistema administrativo
do PSB pernambucano, a nova celeuma em vigor traz à tona um lado ainda obscuro
da política estadual, com ramificações em várias pastas da administração
pública.
O último estopim da briga, que
tem como personagens centrais Antônio Campos (Tonca, presidente da Fundação
Joaquim Nabuco), Renata Campos e o deputado federal João Campos (PSB), irmão,
viúva e filho mais velho do ex-governador Eduardo Campos, respectivamente,
ocorreu a partir de uma declaração forte de João contra o tio, durante
audiência pública com o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Na ocasião, ao
tecer críticas ao modo como o ministro administra a pasta, o deputado
pernambucano ouviu deste que não poderia criticá-lo, já que seu tio João
Campos, tinha atuação no ministério.
Como resposta, João Campos
disparou: “Eu não tenho relação com ele. Ele é um sujeito pior que você!”. A
declaração, feita de maneira tão direta e intempestiva, causou reação imediata
do tio, que foi a público soltar as primeiras “indiretas” do que viria a ser, mais
tarde, um dos temas do depoimento concedido ao Ministério Público Federal, em
investigações que correm em segredo de Justiça:
- “O Jovem deputado devia estar
cobrando da prefeitura de Recife mais rigor na contratação da merenda e dos
kits escolares. Fazer primeiro o dever de casa em sua terra”, disse, em
entrevista à imprensa.
As trocas de farpas públicas
trocadas em tio e sobrinho acabou envolvendo também a ministra Ana Arraes,
ministra do Tribunal de Contas do Estado, mãe de Antônio e Eduardo. Segundo
informações veiculadas na imprensa, ela teria pedido uma trégua aos dois, até
que os ânimos se acalmassem.
A relação de Tonca com a família de Renata Campos – e com o grupo político que, segundo ele, tem na viúva do ex-governador a líder com “punhos de ferro” – deteriorou-se desde as eleições municipais de 2016, quando o irmão de Eduardo foi derrotado, em segundo turno, nas eleições municipais de Olinda.
Segundo Tonca, mais do que não ter dado o
apoio necessário, Renata e seus aliados teriam agido para prejudicar a sua
eleição.
Investigações e ameaças de morte
Após prestar depoimento como
testemunha convocada em processo executado na Justiça Federal de Pernambuco,
que teria como alvo ações fraudulentas na administração pública, o presidente
da Fundação Joaquim Nabuco, órgão ligado ao Ministério da Educação, afirmou que
vem sofrendo ameaças de morte.
Em nota oficial, a defesa de João
Campos declarou que as ameaças não são recentes, mas que se intensificaram nos
últimos dias, sobretudo depois de matérias veiculadas na Revista Época e no
Estadão:
Nota oficial
Em razão de ameaças que venho sofrendo ultimamente, de diversas formas,
objeto de relatório circunstanciado no requerimento que estarei fazendo, que já
aconteceram no passado e retornam após matéria no Jornal Estadão e na Revista
Época, acentuadas com a notícia que prestei depoimento convocado como
testemunha de processo investigativo, para preservar a minha integridade estou
tomando as seguintes providências:
1. Em razão de ser autoridade
federal, estando na presidência de Fundação federal e arrolado como testemunha
de importante investigação do Ministério Público Federal, estarei protocolando,
na data de hoje, requerimento perante o ministro da Justiça, Sérgio Moro,
comunicando os fatos de forma circunstanciada e pedindo as garantias de vida e
as prerrogativas de testemunha juramentada não ser intimidada, dando
conhecimento dos fatos, inclusive pedindo para ele comunicar ao Procurador
Geral da República.
2. Estarei comunicando tal
requerimento ao ministro, ao Ministério Público Federal, a Procuradoria da
República de Pernambuco e a Polícia Federal de Pernambuco de tal requerimento
para as providências que entenderem cabíveis, às 15h30, para ser instruído com
tal requerimento.
Recife, 11 de fevereiro de 2020
Antônio Campos
As acusações, de acordo com
declarações à imprensa, dizem respeito a irregularidades no fornecimento de
merenda, administração de hospitais e presídios, superfaturamento de compra de
remédios, entre outros problemas.