Publicada em 12/02/2020 às 09h13.
Irmão de Eduardo Campos faz graves acusações sobre crimes que teriam sido cometidos pela própria família
Atual governador de Pernambuco e prefeito do Recife também fariam parte de um esquema que envolveria várias atividades ilícitas.


Imagem: reprodução


A confusão familiar, publicamente revelada nos últimos dias, dentro do poderoso clã da família Campos em Pernambuco, tem forte potencial para gerar uma intensa crise política no estado, com repercussões ainda difíceis de mensurar e que, certamente, deve repercutir no resultado das eleições municipais desse ano. Desde acusações de traição a graves denúncias de corrupção e prevaricação no sistema administrativo do PSB pernambucano, a nova celeuma em vigor traz à tona um lado ainda obscuro da política estadual, com ramificações em várias pastas da administração pública.


O último estopim da briga, que tem como personagens centrais Antônio Campos (Tonca, presidente da Fundação Joaquim Nabuco), Renata Campos e o deputado federal João Campos (PSB), irmão, viúva e filho mais velho do ex-governador Eduardo Campos, respectivamente, ocorreu a partir de uma declaração forte de João contra o tio, durante audiência pública com o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Na ocasião, ao tecer críticas ao modo como o ministro administra a pasta, o deputado pernambucano ouviu deste que não poderia criticá-lo, já que seu tio João Campos, tinha atuação no ministério.


Como resposta, João Campos disparou: “Eu não tenho relação com ele. Ele é um sujeito pior que você!”. A declaração, feita de maneira tão direta e intempestiva, causou reação imediata do tio, que foi a público soltar as primeiras “indiretas” do que viria a ser, mais tarde, um dos temas do depoimento concedido ao Ministério Público Federal, em investigações que correm em segredo de Justiça:


- “O Jovem deputado devia estar cobrando da prefeitura de Recife mais rigor na contratação da merenda e dos kits escolares. Fazer primeiro o dever de casa em sua terra”, disse, em entrevista à imprensa.


As trocas de farpas públicas trocadas em tio e sobrinho acabou envolvendo também a ministra Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas do Estado, mãe de Antônio e Eduardo. Segundo informações veiculadas na imprensa, ela teria pedido uma trégua aos dois, até que os ânimos se acalmassem.


A relação de Tonca com a família de Renata Campos – e com o grupo político que, segundo ele, tem na viúva do ex-governador a líder com “punhos de ferro” – deteriorou-se desde as eleições municipais de 2016, quando o irmão de Eduardo foi derrotado, em segundo turno, nas eleições municipais de Olinda.


Segundo Tonca, mais do que não ter dado o apoio necessário, Renata e seus aliados teriam agido para prejudicar a sua eleição.


Investigações e ameaças de morte


Após prestar depoimento como testemunha convocada em processo executado na Justiça Federal de Pernambuco, que teria como alvo ações fraudulentas na administração pública, o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, órgão ligado ao Ministério da Educação, afirmou que vem sofrendo ameaças de morte.


Em nota oficial, a defesa de João Campos declarou que as ameaças não são recentes, mas que se intensificaram nos últimos dias, sobretudo depois de matérias veiculadas na Revista Época e no Estadão:


Nota oficial


Em razão de ameaças que venho sofrendo ultimamente, de diversas formas, objeto de relatório circunstanciado no requerimento que estarei fazendo, que já aconteceram no passado e retornam após matéria no Jornal Estadão e na Revista Época, acentuadas com a notícia que prestei depoimento convocado como testemunha de processo investigativo, para preservar a minha integridade estou tomando as seguintes providências: 


1.  Em razão de ser autoridade federal, estando na presidência de Fundação federal e arrolado como testemunha de importante investigação do Ministério Público Federal, estarei protocolando, na data de hoje, requerimento perante o ministro da Justiça, Sérgio Moro, comunicando os fatos de forma circunstanciada e pedindo as garantias de vida e as prerrogativas de testemunha juramentada não ser intimidada, dando conhecimento dos fatos, inclusive pedindo para ele comunicar ao Procurador Geral da República. 

2.  Estarei comunicando tal requerimento ao ministro, ao Ministério Público Federal, a Procuradoria da República de Pernambuco e a Polícia Federal de Pernambuco de tal requerimento para as providências que entenderem cabíveis, às 15h30, para ser instruído com tal requerimento. 


Recife, 11 de fevereiro de 2020


Antônio Campos


As acusações, de acordo com declarações à imprensa, dizem respeito a irregularidades no fornecimento de merenda, administração de hospitais e presídios, superfaturamento de compra de remédios, entre outros problemas.

 

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