Publicada em 06/03/2020 às 09h37.
Ronaldinho Gaúcho: o que se sabe e o que falta saber no caso dos passaportes
Ex-jogador e irmão são investigados no Paraguai por apresentarem documentos paraguaios adulterados.

                                                                           Imagem: reprodução

Autoridades do Paraguai investigam o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Assis Moreira, por supostamente entrarem no país com passaportes e documentos paraguaios adulterados na quarta-feira (5).

O Ministério Público paraguaio tenta entender qual a origem dos documentos forjados e por que o ex-atleta ingressou no país com eles. Além disso, as autoridades apuram como Ronaldinho e o irmão não foram detidos ao chegarem no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, o principal do Paraguai. A crise fez o chefe do Departamento de Migrações pedir demissão.

À noite, o Ministério Público do Paraguai decidiu não indiciar Ronaldinho e Assis por terem entrado no país com passaportes adulterados. De acordo com os promotores, os dois admitiram o erro — e, assim, a promotoria entendeu que eles "foram enganados em sua boa fé".

Veja abaixo o que se sabe sobre o caso Ronaldinho Gaúcho:

-O ex-jogador chegou a Assunção, capital do Paraguai, na manhã de quarta-feira com o irmão, Assis Moreira, para participarem de uma série de eventos no país.


-Policiais fizeram operação de busca no Hotel Resort Yacht y Golf Club Paraguayo à noite. Lá, apreenderam passaportes e carteiras de identidade paraguaias com conteúdo adulterado.


-Um cidadão brasileiro identificado como Wilmondes Sousa Lira, de 45 anos, foi detido no mesmo hotel para prestar esclarecimentos. Ele é apontado como o homem que entregou os documentos irregulares.


-Os passaportes foram expedidos em janeiro de 2020; as carteiras de identidade, em dezembro de 2019.


-Ainda de acordo com a Promotoria, os dois apresentaram documento brasileiro ao deixar o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Somente em Assunção eles teriam utilizado o passaporte paraguaio com conteúdo alterado.


-Os números dos passaportes pertencem a duas mulheres, segundo os promotores do caso.


-Duas mulheres foram presas à noite, acusadas de serem as verdadeiras titulares dos passaportes adulterados com os nomes de Ronaldinho e Assis.


-A defesa dos dois irmãos no Brasil afirmou ao G1 que ambos retornarão ao Brasil ainda na sexta-feira, depois de prestar um depoimento.

O que ainda não está claro?


                                                        Imagem: Ministério Público Paraguai

Por que Ronaldinho Gaúcho e o irmão usariam documentos falsos?

A dúvida existe porque brasileiros precisam apenas da carteira de identidade original para entrar em países do Mercosul — caso do Paraguai. Não há necessidade sequer de um visto. Além disso, não está claro qual seria o interesse dos dois irmãos em obterem a cidadania paraguaia.

Adolfo Marín, um dos advogados de Ronaldinho, afirma que o próprio ex-jogador não entendeu o porquê de ter recebido o documento. "Ele teria a documentação necessária para entrar no país sem nenhum problema", afirmou.

Qual a origem dos documentos e como chegaram às mãos do ex-jogador?

De acordo com o Ministério Público, os documentos foram emitidos entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Os promotores dizem ainda que os passaportes foram entregues na chegada ao território paraguaio — porém, a defesa de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai disse que ele e o irmão receberam os papéis ainda no Brasil.

Nesta noite de quinta, o Ministério Público anunciou a prisão de duas mulheres: María Izabel Gayoso e Esperanza Apolinia Caballero. Elas são acusadas de serem as reais titulares dos documentos adulterados.

Além disso, o empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira, de 45 anos, foi preso apontado como o suposto fornecedor dos documentos.

Porém, as autoridades ainda investigam como o documento foi fabricado e por que foram repassados a Ronaldinho Gaúcho e Assis.

Como as autoridades não perceberam a irregularidade no momento da entrada no Paraguai?

Ao anunciar a demissão do cargo, o diretor geral do Departamento de Migrações, Alexis Penayo, disse que um funcionário permitiu a entrada de Ronaldinho Gaúcho e Assis mesmo com os documentos adulterados.

Ele confirmou que o procedimento no aeroporto detectou as irregularidades, mas somente horas depois o Ministério do Interior e a Polícia Nacional começaram as investigações.

Penayo afirmou que pediu uma investigação para determinar quais funcionários estavam no controle de passaportes do aeroporto no momento da entrada dos brasileiros e apurar por que eles não foram detidos ainda no ingresso ao Paraguai.

Ronaldinho Gaúcho terá de ficar no Paraguai? Quais os próximos passos do processo?

Os advogados de Ronaldinho Gaúcho no Brasil e no Paraguai disseram que ele pode retornar e que não está com restrição de trânsito. O MP decidiu não indiciar o ex-jogador e o irmão porque a Promotoria entendeu que os dois admitiram o erro e, portanto, "foram enganados em sua boa fé".

O caso, no entanto, irá ao Juizado Penal de Garantias do país e, portanto, a decisão final será de um juiz. Ao jornal "ABC Color", o promotor Federico Delfino comentou a posição do MP.

"O senhor Ronaldo Assis Moreira, mais conhecido como Ronaldinho, aportou vários dados relevantes para a investigação e atendendo a isso, foram beneficiados com uma saída processual que estará a cargo do Juizado Penal de Garantias", afirmou o promotor.


FONTE: G1

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