Publicada em 03/04/2020 às 16h16.
Delegada da Mulher fala sobre medidas de proteção em casos de violência doméstica
Em entrevista ao Microfone Aberto, a especialista falou sobre os meios virtuais usados para denunciar casos de agressão na quarentena.


Imagem: redes sociais/Divulgação


Em entrevista ao programa Microfone Aberto na tarde desta sexta-feira (3), a delegada titular da Delegacia da Mulher do Recife, Dr. Bruna Falcão, esclareceu como está sendo o trabalho da Polícia Civil de Pernambuco no combate à violência contra a mulher, no período de quarentena. Em 2019, o número de casos de agressão teve uma queda de 4,82% em relação a 2018, conforme dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE).


Com a quarenta, a polícia teme que essa porcentagem suba em 2020. De acordo com a delegada, o incremento da violência contra a mulher, no período de isolamento social, é um fenômeno visto também em outros países que enfrentam o novo coronavírus (Covid-19), como Itália e China:


 - “Os agressores e as mulheres passam a conviver mais próximos por períodos maiores no isolamento social, daí os desentendimentos acontecem e a violência aumenta nesse período.”, afirmou.


A preocupação nas delegacias do estado é que, com o período de isolamento social, não se conseguem dados de como anda a violência doméstica. Dr. Bruna disse que apenas no Recife, durante o mês de março, foram registradas 547 ocorrências, um número inferior aos registrados nos meses anteriores:


- “Em 2019, teve um número recorde de registro, o que era um motivo de comemoração porque não significava que a violência aumentou, mas sim que as mulheres estão se libertando mais da violência, quebrando o silêncio e procurando ajuda.”, explanou.


A diminuição do registro de ocorrências, segundo ela, não representa a queda do número de agressões. A delegada alegou que isso mostra que as mulheres estão com dificuldades para procurar ajuda nas delegacias. Os motivos podem ser o medo do coronavírus ou a falta de dinheiro para pagar o transporte até uma delegacia.


Medidas Protetivas


Em levantamento feito pela SDS-PE, nos primeiros meses de 2019, o número de medidas protetivas em Pernambuco subiu cerca de 20%. O apresentador do Microfone Aberto, Márcio Roger, indagou-a sobre possíveis mudanças na execução das medidas. Conforme explicou a delegada, o agressor não pode ser beneficiado por um crime que ele mesmo cometeu:


- “O agressor que é afastado de sua residência e é impedido de retornar a ela sofre essa medida como consequência de uma violência que ele mesmo praticou, então a restrição de morar naquele local é justificada por isso e não deve mudar por motivo de quarentena”, disse.


Os telefones para denúncias são o da Central de Atendimento da Polícia Militar (190), a Central de Denúncias do Ministério da Mulher (Disque 180), as delegacias regionais e a Ouvidoria da Mulher: 0800-281-8187. 

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