
Imagem: redes sociais/Divulgação
Em entrevista ao programa Microfone Aberto na tarde
desta sexta-feira (3), a delegada titular da Delegacia da Mulher do Recife, Dr.
Bruna Falcão, esclareceu como está sendo o trabalho da Polícia Civil de Pernambuco
no combate à violência contra a mulher, no período de quarentena. Em 2019, o número
de casos de agressão teve uma queda de 4,82% em relação a 2018, conforme dados
da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE).
Com a quarenta, a polícia teme que essa porcentagem
suba em 2020. De acordo com a delegada, o incremento da violência contra a mulher,
no período de isolamento social, é um fenômeno visto também em outros países
que enfrentam o novo coronavírus (Covid-19), como Itália e China:
- “Os agressores e as mulheres passam a
conviver mais próximos por períodos maiores no isolamento social, daí os
desentendimentos acontecem e a violência aumenta nesse período.”, afirmou.
A preocupação nas delegacias do estado é que, com o
período de isolamento social, não se conseguem dados de como anda a violência doméstica.
Dr. Bruna disse que apenas no Recife, durante o mês de março, foram registradas
547 ocorrências, um número inferior aos registrados nos meses anteriores:
- “Em 2019,
teve um número recorde de registro, o que era um motivo de comemoração porque não
significava que a violência aumentou, mas sim que as mulheres estão se
libertando mais da violência, quebrando o silêncio e procurando ajuda.”, explanou.
A diminuição do registro de ocorrências, segundo
ela, não representa a queda do número de agressões. A delegada alegou que isso mostra
que as mulheres estão com dificuldades para procurar ajuda nas delegacias. Os
motivos podem ser o medo do coronavírus ou a falta de dinheiro para pagar o transporte
até uma delegacia.
Medidas
Protetivas
Em levantamento feito pela SDS-PE, nos primeiros
meses de 2019, o número de medidas protetivas em Pernambuco subiu cerca de 20%.
O apresentador do Microfone Aberto, Márcio Roger, indagou-a sobre possíveis mudanças
na execução das medidas. Conforme explicou a delegada, o agressor não pode ser
beneficiado por um crime que ele mesmo cometeu:
- “O agressor
que é afastado de sua residência e é impedido de retornar a ela sofre essa
medida como consequência de uma violência que ele mesmo praticou, então a
restrição de morar naquele local é justificada por isso e não deve mudar por
motivo de quarentena”, disse.
Os telefones para denúncias são o da Central de
Atendimento da Polícia Militar (190), a Central de Denúncias do Ministério da Mulher
(Disque 180), as delegacias regionais e a Ouvidoria da Mulher: 0800-281-8187.