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Foto: Eco Dianóstica/Divulgação
O programa Microfone Aberto, da rádio Nova Quilombo
FM, entrevistou, na tarde de terça (14), o médico infectologista Dr. Alex
Garcia. O profissional presta serviços no hospital Oswaldo Cruz, em Recife, que
é referência estadual no combate ao novo coronavírus.
De acordo com o Ministério da Saúde, são feitos
cerca de 4 mil testes diários para Covid-19, no Brasil. Dr. Alex alertou, em
conversa com o apresentador Márcio Roger, que, com essa quantidade de testes,
não é possível expor a real situação do país, e não consegue comparar com a
fase de outras nações:
- "EUA,
Japão, Coréia do Sul e a própria China estão fazem testes em massa na população,
o que ainda não conseguimos fazer.", afirmou
Estudo feito por cientistas e estudantes da
Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Brasília (UnB) revelou que a
estimativa de casos no Brasil é de mais 313 mil, já que o país não faz
testagens em massa.
Ainda de acordo com ele, os testes são feitos
apenas em pacientes que apresentam sintomas de Covid-19. Um estudo do governo
chinês estima que cerca de 30% dos infectados do país não apresentaram
sintomas, o que eleva a atenção para a testagem em massa.
O médico também afirmou que ainda não se pode
afirmar que o clima quente, característico do Nordeste brasileiro, contribua
para a diminuição da propagação do vírus, pois não há dados científicos que
comprovem essa tese.
Perguntado se seria possível fazer uma previsão do
fim do confinamento social no Brasil, Dr Alex respondeu:
-
"Ainda não, a Organização Mundial da Saúde publicou seis metas que devem
ser alcançadas para, a partir daí, podermos definir se conseguimos ou não tirar
o confinamento. A primeira meta é que a transmissão deve estar controlada, o
que ainda não temos aqui no Brasil."
Cloroquina
Dr Alex Garcia comentou também o uso da cloroquina.
O medicamento, usado inicialmente para o tratamento de lúpus e malária, tomou
espaço durante a pandemia de Covid-19 e se tornou centro de polêmicas.
- " Nós estamos enfrentando um problema novo,
a própria Covid-19 em 10 a 20% dos pacientes provoca alterações no coração e a
cloroquina também provoca alterações no coração. Estamos observando em alguns
pacientes efeitos graves, principalmente na visão e no coração. Em uma pesquisa
no Amazonas o estudo com cloroquina teve que ser interrompido pelo número de
efeitos colaterais. Ainda são dados preliminares, mas governo autorizou
fazermos uso da cloroquina em casos graves.", finalizou.