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Imagem: G1 / Reprodução
Circula nas redes sociais um vídeo gravado em Campinas em que uma mulher diz estar na frente do “hospital de campanha” da Unicamp. Ela afirma ainda que nenhum paciente é atendido no local. É #FAKE.
A Unicamp nem sequer tem um hospital de campanha. O vídeo foi feito em frente a tendas de triagem do Hospital das Clínicas, da universidade – segundo a mulher que grava, as cenas são do último dia 10, feriado da Sexta-feira da paixão. Ela e uma outra mulher dizem que não houve nenhum atendimento no local e afirmam que a crise do coronavírus não existe, que é fruto de manipulação da mídia.
Não é verdade. O atendimento nas tendas montadas para triagem, numa área de 900 metros quadrados, com dez consultórios, teve início no dia 1º. Mais de 230 pessoas já passaram e receberam atendimento no local. A estrutura é grande, pensada para que não haja mesmo aglomeração de pessoas, evitando a propagação do vírus. Ela fica no estacionamento próximo à entrada principal do HC.
Segundo a Unicamp, há momentos do dia em que há mais pessoas sendo atendidas; em outros, menos. Como o esquema é de um pronto atendimento, o objetivo é mesmo que seja feito de forma rápida. Por isso, a demanda é flutuante, explica a universidade. No momento em que o vídeo foi gravado, não havia uma grande demanda – o que é algo positivo, e não resultado de manipulação de dados estatísticos.
Até porque Campinas tem 112 casos de coronavírus e já registra 5 mortes, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. No HC da Unicamp, há quatro pacientes internados, um deles confirmado para Covid-19 – os demais têm exames pendentes. A Unidade de Terapia Intensiva tem dez pacientes internados. Dois estão com a doença e os demais ainda aguardam resultados dos testes.
A Unicamp fez uma nota refutando o vídeo. A instituição diz que “a mensagem contém informações e inferências absurdas com o objetivo claro de minimizar a dimensão da pandemia". "Notícias falsas, com informações desprovidas de contexto, prejudicam os esforços da Unicamp e de outras instituições em seu trabalho de enfrentamento da pandemia, o que afronta o senso de coletividade e presta um desserviço à sociedade.”
A universidade lembra que é referência para uma população de 6,5 milhões de pessoas, ou seja, para além dos limites de Campinas.
Nas tendas, os profissionais de saúde ouvem o relato das pessoas que chegam, medem a temperatura, fazem ausculta e direcionam casos suspeitos para o setor de urgência do HC. O hospital tem 98 leitos de enfermaria prontos para atender casos de Covid-19. Na UTI, são 30 leitos; na UTI pediátrica, quatro.
O número foi projetado com base nas estimativas de pico do coronavírus, “que podem acontecer dentro de algumas semanas e surgir de forma repentina”, diz a Unicamp, que conta com a parceria da ONG Expedicionários da Saúde nas tendas. A opção por montar um espaço separado do HC, para atendimento preliminar, com ampla ventilação, foi para proteger pacientes e profissionais.
A Unicamp chegou a iniciar conversas para a viabilização de um hospital de campanha, mas a instituição chegou à conclusão de que não era possível ceder o ginásio para a instalação do equipamento.
Na terça (14), aliás, a prefeitura anunciou que a instalação do hospital de campanha será feita na sede do Patrulheiros, perto do Hospital Mário Gatti. Ou seja, não mais nas dependências da Unicamp.
A universidade tem sido alvo de outra mensagem falsa nos últimos dias. Um áudio diz que uma professora de física da Unicamp que procurava atendimento para sinusite foi forçada a assinar um termo dizendo que foi infectada pelo coronavírus, uma forma de inflar os números na cidade.
Só que a Unicamp informa que não existe qualquer professora Cleo, Cleonice nem qualquer outro nome que possa resultar neste apelido no seu Instituto de Física e que se trata de uma "fake news".
FONTE: G1