Publicada em 20/04/2020 às 09h13.
Anistia Internacional: é 'grave' a presença de Bolsonaro em ato
Entidade ressaltou que o presidente tem o dever de respeitar a Constituição. Apoiadores de Bolsonaro se aglomeraram em frente ao Quartel-General do Exército para ouvir seu discurso.

 

Bolsonaro discursou para manifestantes que pediam uma intervenção militar - Foto: Reuters


A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, avaliou como "grave" a participação neste domingo (19) do presidente Jair Bolsonaro em uma manifestação que pedia a intervenção militar no país, o que contraria a Constituição.


No ato, realizado em Brasília e na data em que é celebrado o Dia do Exército, Bolsonaro fez um discurso em frente ao Quartel-General do Exército. O presidente disse que nem ele nem seus apoiadores querem negociar nada e voltou a criticar o que chamou de "velha política".


Com faixas a favor de intervenção militar, manifestantes gritavam palavras de ordem pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), além da volta do "AI-5".


O Ato Institucional número 5 (AI-5) vigorou durante dez anos (de 1968 a 1978), no período da ditadura militar, e foi usado para punir opositores ao regime e cassar parlamentares.


"A Anistia Internacional repudia qualquer manifestação pública que tenha como objetivo pedir a volta do regime militar, pedir a volta do AI-5, pedir a volta de um regime político que trouxe para o Brasil tanto sofrimento, trouxe tortura, trouxe desaparecimentos. [...] É grave que o presidente da República se junte a esse tipo de manifestação", disse a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil.


Ela ressaltou que o presidente da República é "o guardião da Constituição e tem o dever de respeitar a Constituição Federal, de fazer cumprir suas obrigações em relação aos direitos humanos".


Dezenas de simpatizantes se aglomeraram para ouvir o discurso do presidente, indo na contramão das orientações de isolamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a propagação do coronavírus.


Na avaliação da diretora-executiva da Anistia Internacional, é "muito grave que o presidente da República se desvie da sua função, desrespeite as recomendações da OMS e clame por um regime que só traz mais sofrimento".


Ela ponderou que o país e o mundo passam por "uma emergência de saúde pública, extremamente preocupante, onde vidas estão sendo perdidas, onde famílias estão sofrendo, onde o sistema de saúde está sendo desafiado a responder a essa situação com falta de recurso, com dificuldade de garantir tudo que a população precisa".


Segundo ela, "é hora de toda a nação" se juntar numa resposta a essa pandemia e não é hora "de violar a Constituição. "Não é hora de desrespeitar os princípios de solidariedade da sociedade brasileira. É hora de agir em favor da vida, em favor da saúde, em favor dos direitos humanos", afirmou.



FONTE: G1.GLOBO.COM

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