Publicada em 30/05/2020 às 09h39.
É #FAKE que fórmula caseira com maçã proteja do coronavírus
Receita não é eficaz no tratamento contra o vírus.

Imagem: G1 / Reprodução 


Circula pelas redes sociais mais uma receita caseira para combater a Covid-19. A mensagem diz que a combinação de maçã, inhame e água de coco é eficaz contra o novo coronavírus. É #FAKE.


A mensagem diz que se trata de um “remédio caseiro para o coronavírus” e que “não há contraindicação.” Mas não há qualquer evidência científica de que a fruta, o tubérculo e a bebida combatam o vírus, juntas ou separadas.


A receita ensina a pessoa a bater no liquidificador uma maçã, um pedaço de inhame e um copo de água de coco. A recomendação dada é que se beba a mistura uma vez ao dia. “Tente salvar sua vida, porque a única coisa que podemos fazer é a receita de quem fez e deu certo”, afirma a mensagem, que ainda diz que “a fé é o ingrediente principal”.


O inhame é uma raiz cheia de vitaminas, usualmente tratada como benéfica para a imunidade do organismo, assim como a maçã; por sua vez, a água de coco tem poder hidratante. Ou seja, os três fazem bem à saúde. Mas a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde vêm reforçando que não existe qualquer remédio feito em casa que surta efeito para proteger a pessoa do vírus ou para tratar a Covid-19 até o momento.


Diretor da Divisão Médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, o infectologista Alberto Chebabo reitera: “Não há nenhuma evidência provando que essa combinação sirva para alguma coisa”.


É simples: para uma substância ser efetiva contra a Covid-19, ela precisa ter efeito antiviral, ou seja, ser capaz de conter a infecção pelo coronavírus.


“Essa é mais uma informação falsa apresentada com o objetivo de enganar as pessoas. Maçã, inhame e água de coco são alimentos até nutritivos, mas não são medicamentos com ação antiviral contra a Covid-19 ou outros vírus. Quem utilizar estará consumindo alimentos bons, mas sem ação contra o coronavírus”, aponta o pneumologista Rodolfo Fred Behrsin, professor do Hospital Universitário Gaffreé e Guinle.


O professor titular de infectologia da UFRJ Mauro Schechter alerta que não se pode inverter o ônus da prova de eficiência de uma possível substância contra o coronavírus.


“Na medicina, antes de se prescrever alguma coisa, você tem que provar que algo funciona, e não o oposto. Está havendo uma inversão de valores a partir da cloroquina”, afirma, referindo-se ao remédio de uso preconizado pelo Ministério da Saúde, apesar de evidências científicas indicarem que ele não melhora os quadros de Covid-19.


“Remédios são liberados depois que se prova que eles funcionam. É preciso que haja plausibilidade biológica. A Covid-19 é causada pelo vírus Sars-CoV-2. Por que essa intervenção impediria que o vírus causasse a doença? Qual o mecanismo de ação antiviral dessa combinação?”, questiona o médico.


O infectologista João Prats, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, endossa: quem tomar esse “remédio” não terá qualquer resultado. Ele alerta que para reforçar a imunidade, a pessoa deve se alimentar de forma saudável, dormir bem e praticar exercícios físicos.


“Não há justificativa para que sequer tenham escolhido esses três itens. Ainda que comer vegetais, frutas e água de coco seja bom para a saúde, não vai ser assim que vamos resolver o problema do coronavírus”, diz Prats.


A equipe do Fato ou Fake já desmentiu a eficácia de outras bebidas contra o coronavírus, como chás, café e vinho, e também de misturas à base de alho, açafrão, limão, mel e outros elementos.


FONTE: G1

Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI