
Imagem: Heloísa Ferreira/ Cortesia.
Por Andréa Galvão
"Oh, pandemia ingrata! chegou de surpresa só pra nos limitar!"
É parodiando o grande compositor de frevo Luiz Bandeira que começarei a
escrever essas bem traçadas linhas com
um nó na garganta.
O inimaginável aconteceu! O maior show da
Terra foi adiado para 2022 e como se não bastassem as rotas alteradas, as vidas
perdidas, ficamos também sem a "Festa da Carne." Aquela que nos faz
esquecer as intempéries cotidianas por alguns dias.
O temível Coronavírus esvaziou os
sambódromos, cancelou o Circuito Barra-Ondina bem como deixou ruas do Recife e
ladeiras de Olinda na mais completa solidão.
E Pesqueira? Houve por aqui um estrago sem precedentes. A efervescência do melhor Carnaval do interior hoje inexiste. Os clarins que anunciam o reinado de Momo foram silenciados, Praça Dom José Lopes e Baixa de São Sebastião, agora desertas. Os estandartes das irreverentes agremiações continuam guardados.

Imagem: Twitter/ Reprodução.
Os Caiporas não podem andar por
aí com sua cabeçorra de estopa a nos alegrar. Não tem mela-mela, marchinhas,
banho. Já passam das dezesseis horas e o bloco mais aguardado não vai desfilar,
arrastando uma multidão .
" É o Lira, é o Lira, é o Lira. É o Lira da Tarde a todo
vapor...". Os versos de Cláudio Almeida não sairão da boca de Sérgio
Amaral, eles agora fazem eco no nosso coração e as lágrimas vertem. Apesar
dessa melancolia toda e que há dias faz morada em nós, a razão nos aconselha
que é melhor ficarmos órfãos da folia do que adoecer e perder a vida, pois dela
precisamos para brincar outros Carnavais.
Prevenindo e remediando, lá vamos
nós! Torcendo pela chegada da vacina e pelo
grande retorno da alegria de viver.