Publicada em 05/03/2021 às 14h13.
A pesquisa foi feita usando o novo teste de RT-PCR desenvolvido pela Fiocruz Amazônia.
Teste aponta se a pessoa foi contaminada por uma das variantes - Foto: Itamar Crispim/Fiocruz
As
mutações do coronavírus, chamadas de “variantes de preocupação”, já são
responsáveis pela maioria dos casos em Pernambuco. É o que diz um
estudo publicado pelo Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), na quinta-feira (4).
Segundo os dados da pesquisa, no
Estado, 50,8% das amostras analisadas são de algumas das três principais
mutações: P.1, identificada inicialmente no Amazonas; B.1.1.7, no Reino
Unido; e B.1.351, na África do Sul.
A pesquisa usou o novo teste
de RT-PCR desenvolvido pela Fiocruz Amazônia. O exame detecta a mutação
comum nas três variantes, que são potencialmente mais transmissíveis.
Além
de Pernambuco, outros cinco estados do País têm prevalência das
mutações: Ceará (71,1%), Paraná (70,4%), Santa Catarina (63,7%), Rio de
Janeiro (62,7%) e Rio Grande do Sul (62,5%). Em outros dois estados
analisados, as novas cepas não formaram maioria: Alagoas (42,6%) e Minas
Gerais (30,3%).
Os pesquisadores da Fiocruz alertam para a
dispersão geográfica no território brasileiro das variantes. Nas três
regiões avaliadas (Sul, Sudeste e Nordeste) houve alta prevalência.
De
acordo com o Observatório, a alta circulação de pessoas e o aumento da
propagação do vírus Sars-CoV-2 têm favorecido o surgimento das
"variantes de preocupação" no Brasil.
O comunicado ainda alerta
para um cenário preocupante que alia o perfil potencialmente mais
transmissível dessas variantes à ausência de medidas que possam ajudar a
conter a propagação e circulação do vírus.
A cepa amazonense é
apontada como causa da explosão de casos e colapso no sistema de saúde
do estado nortista, em janeiro de 2021.
Esse cenário de caos,
inclusive, coincide com o surgimento da variante P1, que teria ocorrido
em novembro de 2020, segundo estudo publicado na semana passada pelo
Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e
Epidemiologia de Arbovírus (Cadde).
A variante brasileira
emergiu cerca de um mês antes do número de internações por Síndrome
Respiratória Aguda Grave (Srag) em Manaus dar um salto. Em apenas sete
semanas, a P1 tornou-se a linhagem do Sars-CoV-2 mais prevalente na
região.
A avaliação do estudo da Fiocruz contou com o apoio do
Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e da
Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública.
Fiocruz identificou a prevalência em seis dos oito estados analisados (Arte: Divulgação/Fiocruz)
Novo protocolo
A
vigilância genômica e o monitoramento dessas variantes será fundamental
para o enfrentamento da pandemia, segundo o vice-presidente de Produção
e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger.
“O novo
protocolo de RT-PCR oferece um retrato rápido da circulação das
variantes para tomada de decisão no enfrentamento à pandemia”, destaca
Krieger.
De acordo com a Fiocruz, a avaliação com esse protocolo
será ampliada e repetida de forma sistemática para um monitoramento
massivo das variantes e a vigilância genômica será complementada com o
sequenciamento de amostras na rede genômica da fundação.
Até o
momento, a Fiocruz destaca que não tem sido observada uma clara
associação dessas variantes com uma evolução clínica mais grave, mas
estudos adicionais estão em andamento para esclarecer aspectos
relacionados com o sequenciamento genético dessas variantes, bem com sua
transmissibilidade e o real impacto dessas variantes na dinâmica de
ocorrência da Covid-19.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR
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