Publicada em 07/04/2021 às 08h15.
Observatório Covid-19 destaca circulação intensa do vírus no país.
Tratamento da Covid-19 no Brasil - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A
pandemia do novo coronavírus pode permanecer em níveis críticos durante
o mês de abril, alerta o Boletim Extraordinário do Observatório
Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado hoje (6) no Rio
de Janeiro.
O boletim confirma que o vírus Sars-CoV-2 e suas
variantes permanecem em circulação intensa em todo o país, o que pode
estender a crise sanitária e dos sistemas e serviços de saúde nos
estados brasileiros e suas capitais.
Outro fator agravante é a
sobrecarga dos hospitais, com elevado índice de ocupação de leitos de
unidades de terapia intensiva (UTI). Os dados apurados pelos
pesquisadores da Fiocruz revelam ainda novo aumento da taxa de
letalidade, que passou de 3,3% para 4,2%, contra 2% no final de 2020.
Os
pesquisadores advertem que a expansão da letalidade pode ser
consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e
oportunamente os casos graves, somada à sobrecarga dos hospitais.
Lockdown
Ante
tal cenário, os responsáveis pelo estudo afirmam que, no momento, é
fundamental adotar ou dar continuidade a medidas de contenção das taxas
de transmissão e crescimento de casos por meio de bloqueio ou lockdown
(confinamento), seguidas de medidas de mitigação, visando a reduzir a
velocidade da propagação da covid-19.
Segundo os pesquisadores,
as medidas de restrição de atividades não essenciais precisam ser mais
rigorosas para todos os estados, capitais e regiões que apresentem taxa
de ocupação de leitos superior a 85% e tendência de elevação no número
de casos e de mortes.
Para que as ações tenham sucesso, as
medidas de bloqueio devem durar pelo menos 14 dias e, em alguns casos,
ser prorrogadas por mais tempo, afirmam os estudiosos, que destacam
também a necessidade de convergência entre os poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, bem como nos diferentes níveis de governo
(municipais, estaduais e federal), em favor das medidas de bloqueio.
“Coerência
e convergência são fundamentais neste momento de crise para que as
medidas de bloqueio sejam efetivamente adotadas de forma a sair do
estado de colapso de saúde e progredir para uma etapa de medidas de
mitigação da pandemia, diminuindo o número de mortes, casos e taxas de
transmissão e efetivamente salvando vidas”, ressaltam os responsáveis
pelo boletim.
Medidas
As
medidas de bloqueio propostas incluem proibição de eventos presenciais,
como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas
em todo território nacional; suspensão das atividades presenciais em
todos os níveis de ensino; toque de recolher nacional a partir das 20h e
terminando às 6h, inclusive nos fins de semana; fechamento de praias e
bares; adoção de trabalho remoto, sempre que possível, nos setores
público e privado.
Outras sugestões são instituir barreiras
sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos
aeroportos e do transporte interestadual; ações para reduzir a
superlotação nos transportes coletivos urbanos; ampliar a testagem e o
acompanhamento dos pacientes testados, com isolamento dos casos
suspeitos e monitoramento dos contatos. Os pesquisadores recomendam
ainda o fortalecimento da rede de serviços de saúde e aceleração da
imunização da população.
Leitos de UTI
De
acordo com o boletim divulgado hoje pela Fiocruz, do dia 29 de março ao
dia 5 deste mês, as taxas de ocupação de leitos de UTI covid-19 para
adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) caíram nos estados de Roraima
(de 62% para 49%), do Amapá (de 100% para 91%), do Maranhão (de 88% para
80%), da Paraíba (de 84% para 77%) e do Rio Grande do Sul (de 95% para
90%).
No sentido contrário, Sergipe registrou o maior aumento na
taxa de ocupação de leitos de UTI, que passou de 86% para 95%. Exceto
por essas mudanças, os dados obtidos ontem (5) mostram relativa
estabilidade do indicador em níveis muito críticos, na maior parte dos
estados e no Distrito Federal.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR
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