Publicada em 08/04/2021 às 08h21.
A proposta será enviada para análise do Senado.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A
Câmara dos Deputados concluiu nesta quarta-feira (7) a votação do
projeto que permite à iniciativa privada comprar vacinas para a
imunização de empregados, desde que seja doada a mesma quantidade ao
Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta será enviada para análise do
Senado.
Segundo o texto, os empresários poderão comprar vacinas
que ainda não tiveram aval da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa),
desde que autorizadas por agências reconhecidas pela Organização Mundial
de Saúde (OMS). Essa aquisição pode ser feita diretamente pelas
empresas ou por meio de consórcio.
A medida autoriza que
trabalhadores prestadores de serviço também sejam beneficiados com a
vacinação, inclusive estagiários, autônomos e empregados de empresas de
trabalho temporário ou de terceirizadas. O texto prevê que a vacinação
dos empregados deve seguir os critérios de prioridade estabelecidos no
Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O projeto libera empresas
a contratarem estabelecimentos de saúde que tenham autorização para
importar e dispensar as vacinas, como hospitais, laboratórios ou
farmácias, para intermediar a compra do imunizante.
Multa
Em
caso de descumprimento das exigências, a empresa estará sujeita ao
pagamento de multa equivalente a dez vezes o valor gasto para comprar
vacinas, além de sanções administrativas e penais.
Economia
Para
o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP), a proposta pode diminuir o
impacto da pandemia de Covid-19 no setor econômico do país.
"A
vacinação se constitui, por enquanto, a principal ferramenta para
debelar a crise econômica ocasionada pela Covid-19. Nesse sentido, é
imprescindível e urgente a viabilização de medidas que permitam a
imunização do maior número de pessoas no menor espaço de tempo, a fim de
evitar o aumento no contágio, o colapso no sistema de saúde e o
agravamento da crise econômica e trabalhista decorrente da pandemia",
afirmou o congressista.
Impasse
Na
avaliação de parlamentares de oposição, a matéria vai instituir uma
fila dupla para vacinação no país. Os deputados de partidos contrários
ao projeto usaram o chamado “kit obstrução” para tentar adiar a
apreciação da matéria.
“Nós estamos, infelizmente, no nosso
ponto de vista, consolidando a criação de uma fila dupla para acesso à
vacina, em um cenário em que há escassez de insumos, em um cenário em
que nem mesmo o Governo — porque não quis comprar vacina lá atrás — tem
vacinas para oferecer para o povo brasileiro. Então, há uma
possibilidade nesse momento de se romper com o Plano Nacional de
Imunização, de se vacinarem pessoas sem critérios epidemiológicos”,
afirmou a líder do PSOL, deputada Talíria Petrone (RJ).
O
deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, argumentou que
os empresários encontrarão barreiras para adquirir os imunizantes já
que as produtoras de vacinas comercializam direto com os governos dos
países.
“Quem vendeu para o Ministério da Saúde já disse
publicamente que não vende para empresário, nem aqui no Brasil, nem na
Europa, nem nos Estados Unidos, porque são empresas sérias que não se
submetem a essa ação inescrupulosa que, infelizmente, está sendo
aprovada, que vai furar fila da vacina no nosso País”, argumentou.
“Já
disseram que não vendem, que não fazem negócio, e não fazem, porque
sabem da insegurança que é essa ação. Elas sabem, inclusive, que está no
texto da lei que a autoridade da OMS não está exigindo a certificação
de nível quatro, que é o que estava na lei anterior. Ouçam
parlamentares, estão aprovando algo que vai permitir a importação de
vacinas de baixa qualidade”, completou.
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
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