
Pernambuco
notificou, nesta quinta-feira (8), o maior número de mortes por
Covid-19 em um boletim diário desde julho do ano passado. Foram 82
óbitos relatados, ocorridos entre os dias 24 de setembro de 2020 e 7 de
abril de 2021.
Ao lamentar esse aumento nas ocorrências fatais, o
secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, alertou que esse
cenário deve se repetir nas próximas semanas.
"A gente ainda vai
ter, infelizmente, taxas de ocupação (de leitos de UTI) elevadas nas
próximas semanas. E também o número de óbitos (elevado). Eu tenho dois
mil pacientes em UTI. Estamos lutando para salvar vidas, mas,
infelizmente, muitos que foram pra UTI padecerão. Ainda teremos números
de mortalidade muito além do que gostaríamos. Esse número de 82 mortes é
muito dolorido”, disse o titular da Secretaria Estadual de Saúde
(SES-PE), em entrevista concedida de forma remota.
Aceleração
O
número de casos confirmados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
em Pernambuco teve uma subida significativa a partir da Semana
Epidemiológica (SE) 7, referente a período entre os dias 21 e 27 de
fevereiro. Nesse intervalo citado, foram 879 casos de SRAG, com 371
confirmações para a Covid-19 como origem.
Um mês depois, na SE
12, entre os dias 21 e 27 de março, o número de casos de SRAG saltou
para 1.719, com 850 confirmações de infecção pelo coronavírus
Sars-CoV-2.
Consequência
Três
semanas depois do início da aceleração na transmissão do vírus, esse
aumento começou a ser refletido nos indicadores de óbitos, que passaram
de uma média de 150 por semana para mais de 250.
Na SE 9, foram
266 mortes por SRAG notificadas, sendo 165 delas positivas para a
Covid-19. Na SE 10, as notificações subiram para 406, com 284 positivos
para infecção pelo coronavírus. A média, desde então, tem se mantido
entre 220 e 270 mortes confirmadas para a Covid-19 por semana.
Como
existe um retardo nas notificações dos óbitos - nesta quinta, por
exemplo, teve óbito referente ao mês de setembro de 2020 -, os
indicadores dessas semanas ainda podem subir.
Curva
Segundo
André Longo, após esse período de aceleração exponencial, Pernambuco
vive um platô na curva epidêmica da Covid-19. Isso significa que há um
cenário de estabilidade. Porém, essa estabilidade acontece em níveis
elevados de novos casos, com mais de 2.500 registros diários de novas
infecções, entre casos leves e graves.
Em 2020, após a aplicação
de uma quarentena rígida na Região Metropolitana do Recife (RMR)
durante semanas de platô, a curva epidêmica começou a apresentar
tendência de queda. Na época, contudo, as restrições, mesmo após o fim
da quarentena, eram maiores do que as atuais.
"Normalmente, após
dias de aceleração exponencial, vem um platô, que é onde esperamos
estar nesse momento. Dados recentes apontam que temos desacelerado e
entrado em platô. Para que patamar vamos voltar (após o platô), ainda é
uma incógnita. Após a quarentena de 2020, houve uma queda que permitiu
até desmobilizar leitos”, recordou André Longo.
O gestor afirmou
que a quarentena imposta neste ano teve o resultado esperado pelo
Comitê de Enfrentamento à Covid-19, que era frear a aceleração da
transmissão do coronavírus. Mas deixou claro que não há certeza sobre as
projeções para as próximas semanas.
"Nesse momento, vamos
voltar para que nível? Que patamar? Isso só as próximas semanas vão
dizer. E depende diretamente do comportamento social”, enfatizou,
pedindo, mais uma vez, que a população saia de casa apenas para
atividades essenciais e que use a máscara corretamente, cobrindo boca e
nariz.
"Praticamente abolimos a noite. Bares e restaurantes
estão fechando mais cedo. Continuamos em medidas restritivas. Podemos
mantê-las, avançar ou retroceder a partir de 25 de abril (quanto termina
o prazo do atual decreto). Isso vai depender dos números até lá. Vai
depender do patamar da pandemia, em relação aos casos graves, às
solicitações por leitos e ao número de óbitos”, completou.
Leitos
De
acordo com boletim da SES-PE desta quinta-feira, são 1.577 leitos de
terapia intensiva para a Covid-19 na rede pública, com 96% de ocupação, e
mais 510 em unidades privadas, com 90% de ocupação.
As
enfermarias na rede pública somam 1.217 vagas e têm ocupação de 87%. No
setor privado, são 312 leitos de enfermaria, com 66% deles preenchidos.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR