Publicada em 21/04/2021 às 09h10.
Abril registra maiores números de casos de Covid-19 em Pernambuco
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), nesta terça-feira (20), foram confirmados 2.843 diagnósticos da doença.

Pandemia do coronavírus - Foto: INA FASSBENDER/AFP


O mês de abril deste ano tem se mostrado um dos mais críticos desde o começo da pandemia do coronavírus em Pernambuco, se levado em consideração as estatísticas de novos casos da Covid-19. Segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), nesta terça-feira (20), foram confirmados 2.843 diagnósticos da doença, tornando- se o quarto dia com o maior número de registros em 24 horas, desde março do ano passado. O ranking dos três dias com mais dados de infecções pelo vírus no Estado também pertence a este mês, como pode ser visto no infográfico no final da matéria. Chama atenção o fato de Pernambuco chegar a estes patamares 20 dias após o fim de um período de medidas restritivas mais rígidas.

Recentemente, um relatório da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) apontou que Pernambuco é o Estado com a menor taxa de mortalidade por Covid-19 do Brasil - 16,5 óbitos para cada 100 mil habitantes. No entanto, de acordo com a epidemiologista da Fiocruz Ana Brito, não há motivo para comemoração. Se levado em consideração o histórico da pandemia, segue elevado e constante aumento o número de pessoas mortas em decorrência do coronavírus. Somente nesta terça (20) foram 69 novas confirmações, totalizando 13.317 óbitos desde os primeiros registros no ano passado.

Ana Brito, que também é professora da UPE, explica que para saber a magnitude de uma doença é preciso levar em consideração os números absolutos e compará-los ao longo do tempo. “Ainda estamos tendo crescimento no número de casos em nosso Estado. Temos notificado mais de mil diagnósticos e de 30 óbitos por dia”, comenta, acrescento que é preciso haver uma queda consistente nas estatísticas diárias. “Não basta apenas reduzir, os números precisam mostrar uma tendência de baixa.”

Na análise de especialistas, as medidas restritivas adotadas no Estado para conter o avanço da transmissão foram brandas. “Estamos tentando conviver com uma taxa muito alta de infecção em Pernambuco. A escala Ricci sugere que nas próximas três a cinco semanas o Estado enfrentará outro aumento de temperatura no que já está fervendo”, falou o vice-coordenador do IRRD-PE, Jones Albuquerque sobre o avanço da pandemia.

Segundo a epidemiologista da Fiocruz, já que o país e o Estado terão dificuldade para reduzir de transmissão do vírus pela vacina, pois a imunização avança lentamente, por causa da disponibilidade das doses por parte do Governo Federal, será preciso continuar adotando medidas não medicamentosas, como uso de máscaras, isolamento social e higienização das mãos. "Fica difícil falar em imunidade coletiva neste ritmo de recebimento e aplicação de vacinas que estamos vendo no Brasil. No melhor dos cálculos, só vamos atingir de 70% a 80% da população imunizada no final de 2022”, avalia Ana Brito, acrescentando que provavelmente será preciso aumentar o número de doses por pessoa, por causa do surgimento de novas variantes. "Vamos precisar observar como esses organismos respondem a novas infecções", disse.

Medidas


Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde esclarece que desde o início da pandemia o Governo de Pernambuco tem atuado com total transparência e todas as medidas de enfrentamento ao novo coronavírus têm sido tomadas com base em dados, evidências científicas e indicadores da doença tendo como objetivo principal salvar a vida de pernambucanos e pernambucanas. "Importante destacar, ainda, que Pernambuco tem procurado adotar medidas proporcionais ao seu cenário epidemiológico", acrescentou o órgão em nota enviada à Folha de Pernambuco.



Imagem: Reprodução/FolhaPe



FONTE: FOLHAPE.COM.BR

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