
A
CPI da Covid foi instalada nesta terça-feira (27), quando foram
escolhidos oficialmente presidente, vice-presidente e relator da
comissão. O governo conta com apenas 4 aliados entre os 11 membros
titulares.
A presidência ficou nas mãos de Omar Aziz (PSD-AM),
que se diz independente, mas possui boa relação com o governo. A
relatoria ficou a cargo de Renan Calheiros (MDB-AL), que segue linha de
oposição ao governo federal.
Preocupado com possíveis
desdobramentos negativos da CPI, o governo Jair Bolsonaro (sem partido)
tentou prever prováveis questionamentos. Encaminhou a ministérios,
então, as 23 principais acusações que, acredita, serão levantadas contra
a atual gestão.
A ideia é que as pastas disponibilizem informações para que o Planalto prepare uma defesa.
Veja, abaixo, as 23 possíveis acusações.
1- O governo foi negligente com processo de aquisição da Coronavac e desacreditou a eficácia da vacina
Desenvolvido
pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac,
é, atualmente, o principal imunizante aplicado na campanha de vacinação
contra a Covid-19 no país.
Patrocinada pelo principal adversário
político de Bolsonaro e governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a
Coronavac foi alvo de críticas constantes por parte de Bolsonaro antes
da aprovação de uso pela Anvisa. A falta de apoio por parte do governo
federal na produção da vacina e a demora do Ministério da Saúde para
comprar as doses podem ser apresentadas na CPI como elementos que
contribuíram para a lentidão da imunização.
As constantes críticas sobre a eficácia da Coronavac pelo presidente também devem ser mencionadas.
Bolsonaro
chegou a desautorizar o então ministro da Saúde, general Eduardo
Pazuello, que havia anunciado acordo para compra de 46 milhões de doses
da Coronavac. A vacina só foi efetivamente adquirida pelo governo
federal em janeiro deste ano, pouco antes do estado de São Paulo ameaçar
iniciar uma vacinação independente.
No fim de janeiro, o
presidente disse que "não há nada comprovado cientificamente sobre essa
vacina aí", mesmo após a Coronavac já ter tido eficácia e a segurança
comprovadas e ter sido aprovada pela Anvisa.
Por enquanto, o
Brasil utiliza apenas duas vacinas. A Coronavac, que já teve 41,4
milhões de doses disponibilizadas ao PNI (Programa Nacional de
Imunizações), e a vacina Oxford/AstraZeneca, produzida pela Fundação
Oswaldo Cruz, que teve 20 milhões de doses disponibilizadas.
Ao
todo, foram aplicadas pouco mais de 41,6 milhões de vacinas no país,
entre primeira e segunda dose, número considerado ainda insuficiente
diante do tamanho da população brasileira e da severidade da pandemia no
país.
2 - O governo minimizou a gravidade da pandemia
Desde
o início da pandemia, o governo federal minimizou a dimensão do
problema e desacreditou medidas de prevenção como o uso das máscaras e o
isolamento social.
Além de chamar a doença de gripezinha, outras
frases ditas por Bolsonaro ao longo dos últimos 14 meses incluem: "Está
havendo uma histeria"; "parece que está começando a ir embora essa
questão do vírus"; "tem que deixar de ser um país de maricas"; " essa
conversinha de segunda onda" e "estamos vivendo um finalzinho de
pandemia".
Essa postura pode ser apresentada durante a CPI como
negligência. O presidente também deverá ser questionado sobre sua
participação constante em aglomerações.
Bolsonaro também fez
insinuações sobre o uso de máscaras de proteção contra a Covid. "Começam
a aparecer os efeitos colaterais das máscaras", disse, sem dar mais
detalhes.
"Eu tenho minha opinião sobre as máscaras, cada um tem a
sua, mas a gente aguarda um estudo sobre isso feito por pessoas
competentes", afirmou, embora o uso seja recomendado pela OMS.
3 - O governo não incentivou a adoção de medidas restritivas
Desde
o início da pandemia, Bolsonaro e boa parte dos ministros promoveram
aglomerações em eventos oficiais e criticaram a orientação de isolamento
social.
"Criaram pânico, né? O problema está aí, lamentamos. Mas
você não pode entrar em pânico. Que nem a política, de novo, de 'fique
em casa'. O pessoal vai morrer de fome, de depressão?", disse Bolsonaro,
mesmo diante do momento mais severo da pandemia e com recordes diários
no número de mortes.
O Executivo chegou a entrar no STF (Supremo
Tribunal Federal) com pedido, no início de janeiro deste ano, para
impedir que governadores e prefeitos adotassem medidas de combate como
isolamento social, quarentena e uso de máscara. O argumento do governo
Bolsonaro era que existia um "iminente perigo público". O pedido acabou
negado.
Bolsonaro também defendeu, diversas vezes, a abertura de
templos religiosos. Para isso, baixou um decreto em março de 2020
classificando as atividades religiosas como serviços essenciais. O mesmo
decreto incluía também casas lotéricas no rol de atividades essenciais.
As medidas acabaram vetadas pela Justiça.
4 - O governo promoveu 'tratamento precoce' sem evidências científicas
Mesmo
sem comprovação científica de eficácia, Bolsonaro costuma incentivar o
uso de remédios como a hidroxicloroquina, chamados por ele de
"tratamento precoce".
Esses medicamentos não têm eficácia
comprovada contra o novo coronavírus. Segundo especialistas, além de
incentivar a automedicação, esse tipo de postura pode promover uma falsa
sensação de segurança, levando algumas pessoas a assumir o
comportamento de risco. Em alguns casos, essas drogas podem provocar
efeitos colaterais.
No início deste ano, Bolsonaro criticou a
ausência do uso dos medicamentos em Manaus, cidade que vivia um
agravamento da doença. "Mandamos ontem [segunda-feira (12)] o nosso
ministro da Saúde [general Eduardo Pazuello, na época] para lá. Estava
um caos. Não faziam tratamento precoce."
Em março do ano passado, o presidente anunciou que o Exército iria intensificar a produção de cloroquina em seus laboratórios.
O
Exército viabilizou recursos públicos para a ampliação da produção dois
dias depois de Bolsonaro determinar ao então ministro da Defesa,
general Fernando Azevedo e Silva, o aumento da fabricação da droga.
A
unidade favorecida foi o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército.
Foi ele que produziu 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina para
atender o presidente. O Exército gastou R$ 1,1 milhão em recursos
públicos com a empreitada.
5 - O governo retardou e negligenciou o enfrentamento à crise no Amazonas
O
general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, admitiu que soube da
possibilidade de falta de oxigênio no Amazonas no dia 8 de janeiro, uma
semana antes do dia com mais mortes por asfixia no estado.
O
general foi avisado sobre a escassez crítica do insumo em Manaus por
integrantes do governo estadual, pela empresa que fornece o produto e
até mesmo por uma cunhada sua que tinha um familiar "sem oxigênio para
passar o dia". Pazuello também foi informado sobre problemas logísticos
nas remessas.
Pelo menos 11 indícios, que podem vir a ser usados
como prova, reforçam que a cúpula do Ministério da Saúde tinha
conhecimento prévio sobre a grave escassez de oxigênio nos hospitais em
Manaus e foi omissa diante do tamanho do problema.
Os indícios
estão em um relatório assinado pelo próprio ministro, em um documento da
secretaria-executiva da pasta, em um plano de contingências montado
para lidar com a crise no Amazonas, em relatórios de grupos
independentes enviados ao estado e em emails e documentos da White
Martins, empresa contratada pelo governo local para abastecer as
unidades de saúde.
6 - O governo não promoveu campanhas de prevenção à Covid
A
atual gestão poderá ser questionada ao longo da CPI sobre a ausência de
campanhas de prevenção. Ao longo dos 14 meses de pandemia praticamente
não existiram ações por parte do governo federal para promover a
prevenção.
Durante suas lives semanais, o presidente Bolsonaro costuma criticar as medidas indicadas por especialistas e pela OMS.
Em
março deste ano, o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), admitiu que
o governo federal deveria ter lançado desde o início da pandemia uma
campanha de conscientização da população pelo uso de máscaras e contra
aglomerações. Ele disse ainda que foi uma falha da administração federal
não ter promovido esse tipo de ação.
"Eu julgo que nós
deveríamos ter, desde o começo, tido uma campanha em nível federal –uma
vez que as medidas locais pertencem aos gestores e isso é inconteste–
mas uma campanha séria de conscientização da população. Não é uma
questão de lockdown ou não lockdown, mas uma questão das pessoas
entenderem que elas têm que se resguardar o máximo possível, evitando,
vamos dizer, aglomerações com gente que desconhecem", disse em
entrevista ao canal MyNews.
7 - O governo não coordenou o enfrentamento à pandemia em âmbito nacional
A
maioria das ações de combate ao novo coronavírus foram elaboradas por
governadores e prefeitos de forma individual e descentralizada. Eles
tomaram medidas como fechamento de estabelecimentos, incentivo ao
isolamento, leis sobre uso de máscaras e busca por vacinas.
O
presidente do Conass (Conselho de Secretários Estaduais de Saúde),
Carlos Lula afirmou em março deste ano, em entrevista ao jornal Folha de
S.Paulo, que depois de dez meses de gestão de Eduardo Pazuello, boa
parte do grupo perdeu a paciência com o ex-ministro. Ele disse que os
sucessivos erros da pasta minaram a credibilidade do general.
Ele
classificou o cenário da pandemia como horroroso e afirmou que o pior
adversário no enfrentamento à Covid-19 é o presidente Bolsonaro.
A
falta de coordenação das autoridades e uma sucessão de erros cometidos
pelo governo federal foram os principais responsáveis pela multiplicação
das mortes causadas pela Covid-19 no país, segundo um estudo elaborado
por um grupo acadêmico que monitora as ações de enfrentamento da
pandemia do coronavírus.
Na avaliação dos pesquisadores de
universidades como a USP, o governo sabotou medidas adotadas por
prefeituras e governos estaduais para proteger a população e foi incapaz
de articular uma estratégia para realização de testes em massa, que
permitiriam isolar pessoas infectadas e controlar a transmissão do
vírus.
8 - O governo entregou a gestão do Ministério da Saúde, durante a crise, a gestores não especializados
Em
maio do ano passado, ainda no início da crise do novo coronavírus e sob
comando interino do general Pazuello, o Ministério da Saúde ampliou o
número de militares em postos-chave.
O processo atingiu cargos
estratégicos em áreas especializadas de assistência em saúde. Somente em
maio de 2020, ao menos 21 militares foram nomeados.
Ao longo da
gestão de Pazuello, sem experiência prévia na área, parte expressiva dos
militares foi colocada em cargos de direção e coordenação na
secretaria-executiva da pasta.
Outra parte foi alocada em posições mais técnicas, que costumavam ser ocupadas por especialistas.
9 - O governo demorou a pagar o auxílio emergencial
O
auxílio emergencial foi interrompido pelo governo federal em dezembro
do ano passado e voltou a ser pago somente em abril deste ano.
O
auxílio foi adotado em 2020 e viabilizou a liberação de gastos
emergenciais do governo, que superou R$ 600 bilhões. Neste ano, porém, o
Orçamento voltou a ser limitado, com autorização para gastos
extraordinários pontuais.
Membros do Ministério da Economia
chegaram a avaliar no início do ano que o repique da crise sanitária
teria sido causado pelas celebrações de fim de ano e logo seria
dissipado.
Para a nova rodada do auxílio, o governo negociou com o
Congresso a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição)
para destravar a assistência e estabelecer medidas de ajuste fiscal para
crises futuras.
O presidente foi cobrado pela oposição pela
demora em entregar as três medidas provisórias que estabeleciam os
critérios e valores da nova rodada de auxílio emergencial.
10 - Ineficácia de programa de crédito
Para
tentar dar fôlego a empresários o governo criou o Pronampe (Programa
Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), em maio
de 2020. Entretanto, os empresários que captaram recursos por meio da
linha tinham originalmente uma carência de até oito meses para começar a
pagar.
Como o programa só foi regulamentado em junho, a carência
dos primeiros empréstimos começou a vencer entre fevereiro e março de
2021, momento de acirramento da crise sanitária. Com o avanço da
pandemia e novas medidas de restrição que devem afetar o faturamento, os
empresários pedem mais tempo.
Além do aumento do prazo de
pagamento das linhas de financiamento criadas durante a pandemia, um
novo programa está sendo debatido. O Pronampe liberou R$ 37,5 bilhões em
crédito contratado no ano passado.
11 - O governo politizou a pandemia
O
governo Bolsonaro poderá ser questionado sobre a politização da
pandemia. Dois casos devem ganhar destaque: conflitos com Doria e embate
com prefeitos e governadores em geral.
Doria é um dos nomes
cotados para concorrer à Presidência em 2022 e, desde o início da
pandemia, tem antagonizado Bolsonaro, chamando o presidente de
negacionista.
Os embates entre os dois teriam sido um dos motivos
que levaram Bolsonaro a refutar inicialmente a aquisição da vacina
Coronavac.
Com outros governadores e prefeitos, Bolsonaro entrou
em conflito, especialmente, por conta das restrições de circulação,
criticadas pelo presidente.
"Vocês não pararam durante a
pandemia. Vocês não entraram na conversinha mole de 'fica em casa'. Isso
é para os fracos, disse o presidente durante evento em Mato Grosso, em
dezembro do ano passado.
Em mais uma ofensiva contra
governadores, Bolsonaro afirmou que o Exército pode ir "para a rua"
para, segundo ele, reestabelecer o "direito de ir e vir e acabar com
essa covardia de toque de recolher".
12 - O governo falhou na implementação da testagem
O
governo federal foi criticado por não distribuir à rede pública e
manter em um depósito em Guarulhos (SP) milhões de testes para detectar o
novo coronavírus, que ficaram perto de perder a validade.
Relatório
do Ministério da Saúde mostrou, em dezembro de 2020, que 6,86 milhões
de testes parados no local venceriam até janeiro. Outros 212.900 testes
venceriam até fevereiro, e 70.800, em março.
Para solucionar a questão, a Anvisa prorrogou por quatro meses, em caráter excepcional, a validade dos testes.
A
testagem é apontada por especialistas como essencial para evitar que o
vírus se dissemine de forma descontrolada. No entanto, o número de
testes no Brasil é considerado baixo, o que impede o rastreamento da
doença.
O governo poderá ser questionado na CPI sobre a falta de
um plano efetivo de mapeamento da doença através de uma testagem regular
e em grande quantidade. Mais de 14,3 milhões de pessoas já foram
infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia no país.
13 - Falta de insumos diversos
Com
a lotação das UTIs por pacientes com Covid-19, medicamentos como
sedativos, neurobloqueadores musculares e analgésicos opioides começaram
a escassear ou até mesmo faltar em alguns hospitais.
No auge da
pandemia, nos primeiros meses deste ano, em um momento em que várias
cidades apontaram UTIs lotadas e falta de leitos, prefeitos enviaram um
ofício a Bolsonaro e ao Ministério da Saúde em que apontaram risco de
falta de oxigênio e de medicamentos usados para intubação de pacientes
graves.
Os remédios do chamado kit intubação são essenciais para
tratar casos graves de Covid-19. Eles garantem que o paciente seja
intubado sem sentir dor ou que tente retirar o tubo de forma
involuntária. Medicamentos alternativos passaram a ser usados pelos
médicos para o procedimento.
Em março deste ano, a Saúde passou a
fazer requisições administrativas que obrigam as fábricas a destinar o
excedente de sua produção para a pasta, que depois redistribui os
medicamentos para os estados.
Os secretários de Saúde afirmam que
essas requisições impedem que estados e municípios comprem os remédios
de fornecedores nacionais. A alternativa tem sido recorrer a compras
internacionais, como foi anunciado pelo governo de São Paulo.
14 - Atraso no repasse de recursos destinados à habilitação de leitos de UTI
A demora na sanção do socorro financeiro fez com que estados acumulassem prejuízos, especialmente no início da pandemia.
A
ajuda financeira de aproximadamente R$ 125 bilhões para estados e
municípios durante a crise sanitária demorou para ser sancionada pelo
presidente.
O programa de socorro a estados e municípios para
enfrentamento da pandemia apresentou resultados desiguais entre esses
entes da Federação. Enquanto algumas administrações receberam recursos
mesmo sem perda de arrecadação, outras não receberam dinheiro suficiente
para compensar a queda nas receitas.
Esse foi o caso de oito
estados, incluindo os quatro do Sudeste, e três capitais. Além disso, a
distribuição de recursos não teve ligação com as necessidades desses
locais para enfrentar a pandemia, quando se considera a relação entre
transferências e locais com maior número de mortes por habitante,
segundo uma nota técnica da Rede de Pesquisa Solidária.
15 - Impacto nos povos indígenas
O
governo Bolsonaro realizou trocas de comando em alguns dos 34 Dseis
(Distrito Sanitário Especial Indígena) existentes no país, e as mudanças
vêm causando impactos negativos em algumas delas e na saúde dos povos
indígenas.
Em pelo menos quatro dos Dseis houve indicações de
militares ou de aliados políticos que acumulam acusações de
inexperiência, truculência na interação com as comunidades e má gestão
em meio à pandemia.
Entre os casos estão a de um coordenador
trabalhando armado e intimidando indígenas, barreiras sanitárias
removidas, desvio de verbas para o combate à pandemia e suspeita de
distribuição, para as aldeias, de cloroquina –medicamento sem eficácia
comprovada para combater o vírus.
Um dos exemplos do
aparelhamento por militares e indicados políticos, o Dsei-Leste Roraima
teve cinco coordenadores num período de um ano e oito meses –a partir de
abril do ano passado, no começo da pandemia.
Embora indígenas
façam parte do grupo prioritário para receber a vacina, o governo ainda
não conseguiu completar a imunização. Segundo dados do Ministério da
Saúde do dia 23 de abril, até agora, 76% dos indígenas já receberam a
primeira dose no Brasil, e 60%, a segunda dose.
16 - O governo atrasou a instalação do Comitê de Combate à Covid
O
presidente Jair Bolsonaro anunciou no fim de março deste ano a criação
de um comitê com representantes dos Três Poderes para coordenar as ações
de enfrentamento à pandemia.
A ação foi duramente criticada pela
demora. O país já enfrentava o coronavírus havia mais de um ano, e o
número de mortes, na época, passava dos 300 mil.
Após o anúncio,
governadores afirmaram que a ideia da criação do grupo foi do presidente
do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e não de Bolsonaro.
Com
resultados pouco efetivos, até o momento, a criação e os trabalhos
realizados pelo grupo deverão ser questionados ao longo da CPI.
17 - O governo não foi transparente e nem elaborou um plano de comunicação de enfrentamento à Covid
Técnicos
do TCU (Tribunal de Contas da União) afirmaram, em parecer da
Secretaria de Controle Externo da Saúde do órgão, que o Ministério da
Saúde não teve estratégia na administração da crise sanitária.
Apesar
de a Saúde ter informado ao tribunal ter gasto R$ 291 milhões com ações
de comunicação relacionadas à Covid-19, a equipe de auditoria do
tribunal considerou que algumas estratégias foram pouco eficazes.
O
grupo sugeriu que a pasta retome as entrevistas coletivas de imprensa
para tratar da doença, com a frequência mínima de três vezes por semana.
O
governo também parou de fornecer dados diários sobre o número de
contágios e o número de óbitos, o que também foi criticado. Os dados têm
sido consolidado por um consórcio de veículos de imprensa que coleta as
informações diretamente com as secretarias estaduais de Saúde.
18 - O governo não cumpriu recomendações do TCU durante a pandemia
Entre
os problemas identificados pelos auditores do TCU no processo que
acompanha as ações do governo no controle da doença, estão a falta de
entrega de equipamentos de proteção individual, respiradores, kits de
testes e irregularidades em contratos.
Os técnicos também
manifestaram preocupação com o eventual descompasso entre o cronograma
de fornecimento das vacinas contra a Covid e o de entrega das seringas e
agulhas.
Segundo o tribunal, não há um planejamento "minimamente
detalhado" para o combate à pandemia, e representantes da pasta não
compreendem como função do ministério a articulação com os entes
subnacionais (governos estaduais e municipais).
O governo deverá
ser questionado sobre os apontamentos do órgão. O desabastecimento de
medicamentos para a intubação, sentido durante os picos de internações, é
outro item que deverá ser abordado.
19 - Brasil se tornou o epicentro da pandemia e 'covidário' de novas cepas pela inação do governo
A
América Latina se tornou o novo epicentro da pandemia de coronavírus
durante os primeiros meses deste ano, e o Brasil é o país mais
preocupante, segundo apontou Michael Ryan, diretor-executivo da OMS
(Organização Mundial da Saúde), no fim de março.
Ryan mencionou
também o uso de cloroquina para o tratamento de Covid-19 no Brasil e
ressaltou que não há evidências de que o medicamento seja eficaz para
combater a doença. A OMS apoia o uso de cloroquina apenas em estudos
clínicos em hospital, e sob acompanhamento médico.
O país teve
picos de 4.000 mortes por dia e médias diárias de mais de 3.000 óbitos
durante várias semanas. A maioria das capitais brasileiras teve ocupação
de leitos em hospitais em torno de 90% por muitas semanas.
Diversos locais, a exemplo de Manaus, enfrentaram colapso do sistema de saúde, com falta de leitos e de oxigênio.
O
Brasil se tornou um dos países com o maior número de casos do mundo e
chamou a atenção da comunidade científica internacional, que teme que a
grande circulação do vírus no país facilite o surgimento de cepas mais
perigosas ou capazes de burlar os imunizantes.
20 - Generais Pazuello, Braga Netto e diversos militares não apresentaram diretrizes estratégicas para o combate à Covid
Auditoria
do TCU divulgada em dezembro apontou que não há plano estratégico do
Ministério da Saúde para o enfrentamento da pandemia do coronavírus.
Anexado
ao processo, sob a relatoria do ministro relator Benjamin Zymler, o
documento é elaborado pela SecexSaúde (Secretaria de Controle Externo da
Saúde), que já produziu quatro relatórios de acompanhamento.
Os
auditores apontam que há entraves na compra de anestésicos e na
aquisição de respiradores e equipamentos de proteção individual.
Exaltado
como especialista em logística, Pauzello enfrentou problemas também com
a falta de planejamento para a compra e distribuição de seringas.
A
pasta comandada pelo general também teve dificuldades para distribui
vacinas, com erros de envio, como no caso dos lotes do Amazonas e do
Amapá que foram trocados.
21 - O presidente Bolsonaro pressionou Mandetta e Teich para obrigá-los a defender o uso da hidroxicloroquina
A
CPI da Covid deve traçar uma linha do tempo e iniciar os trabalhos
esquadrinhando as razões que levaram à queda dos ex-ministros da Saúde
Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.
O objetivo é entender, por
exemplo, se houve e como se deu a pressão do presidente Jair Bolsonaro
para que o governo defendesse, no tratamento contra a Covid-19, o uso da
hidroxicloroquina –medicamento sem eficácia comprovada contra a doença.
Também
será avaliado se o presidente desautorizou que os dois ex-ministros
articulassem medidas de restrição de circulação. Bolsonaro costuma
criticar publicamente esse tipo de ação.
22 - O governo federal recusou 70 milhões de doses da vacina da Pfizer
O
governo brasileiro rejeitou, no ano passado, proposta da farmacêutica
Pfizer que previa 70 milhões de doses de vacinas até dezembro deste ano.
Do total, 3 milhões estavam previstos até fevereiro.
O anúncio
feito pelo Ministério da Saúde de que pretendia comprar doses da vacina
da empresa norte-americana ocorreu quase sete meses após a primeira
oferta apresentada, o que colocou o Brasil atrás de outros países na
aquisição e no recebimento dos imunizantes.
Embora tenha feito
reuniões anteriores com representantes do governo, a farmacêutica fez a
primeira oferta em meados de agosto de 2020, segundo informações obtidas
pelo jornal Folha de S.Paulo.
A Pfizer não foi a única a ter
propostas rejeitadas. Documentos mostram que outros laboratórios também
tiveram ofertas que previam entregas mais cedo ignoradas, a exemplo do
Instituto Butantan, que hoje é responsável por pelo menos 78% das
vacinas já distribuídas no país contra a Covid.
Além disso,
embora o então ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, tenha
afirmado que encontrou dificuldade em negociações com o consórcio Covax
Facility, da Organização Mundial de Saúde, pessoas ligadas às conversas
apontam que foi da pasta a decisão de adquirir doses para apenas 10% da
população por meio da iniciativa, ao passo que existia a possibilitade
de o Brasil comprar mais unidades.
23 - O governo federal fabricou e disseminou fake news sobre a pandemia por intermédio do seu gabinete do ódio
O
governo disseminou, por meio de parlamentares aliados, ministros e até
mesmo do presidente Bolsonaro, informações falsas sobre a pandemia.
Constantemente,
nas redes sociais ou em suas lives semanais, Bolsonaro incentiva o uso
de remédios sem eficácia, question o uso de máscaras de proteção,
critica a eficácia de vacinas e desdenha da gravidade da pandemia.
As mensagens também costumam ser compartilhadas nas redes sociais por assessores e pelos filhos do presidente.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR