
O
presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu atender o Ministério da
Economia e sancionar com vetos um projeto de lei que concede ajuda
financeira ao setor de turismo e eventos.
O pacote vai fornecer
renegociação de dívidas tributárias nos moldes defendidos pela PGFN
(Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), além de reservar parte de duas
linhas de crédito criadas durante a pandemia para as empresas desses
segmentos.
Um percentual de 20% do Pronampe (criado em 2020 para
atender micro e pequenas empresas) será dedicado ao setor, bem como até
R$ 1 bilhão do Peac (Programa Emergencial de Acesso a Crédito).
Carlos
da Costa, secretário especial de Competitividade, Emprego e
Produtividade do Ministério da Economia, afirmou que será vetado o
trecho que gerava uma redução de impostos para o setor devido ao impacto
para as demais empresas.
Segundo ele, cortar impostos obrigaria o
governo a elevar tributos de outros segmentos. "Não existia uma
estimativa que coubesse nas compensações tributárias. Haveria um aumento
de imposto sobre outros setores, o que o presidente sempre falou que é
contra", disse.
Além do veto, outra vitória do Ministério da
Economia no projeto foi a mudança em um trecho que criaria uma espécie
de Refis (programas amplos de renegociação de dívida).
O
Ministério da Economia conseguiu alterar o texto original ainda durante a
tramitação no Congresso, de modo que atendesse aos critérios da PGFN.
O
texto autoriza que o Executivo oferte a renegociação ao setor de
eventos, com algumas condições diferentes, mas mantidos todos os
requisitos da lei da transação tributária (13.988) – sancionada em abril
de 2020 como resultado de uma MP (medida provisória). Com isso, a
renegociação fica voltada somente ao contribuinte que não tenha
capacidade de pagamento para quitar o seu passivo.
Bolsonaro
afirmou que o governo respeita as pessoas que perderam tudo, que estão
sem esperança e que querem e têm que voltar ao mercado de trabalho. "E
para nós, do Executivo, interessa que a economia funcione e que o Brasil
volte à normalidade", afirmou.
Ele aproveitou para comentar uma
declaração recente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse
no fim de semana que é preciso reabrir a economia.
"Eu até
aproveito o momento aqui para cumprimentar o Fernando Henrique Cardoso,
que disse que o comércio tem que abrir, tem que voltar a funcionar.
Coisa que eu falava desde março do ano passado, mas é bem-vindo esse
reconhecimento por parte da maior liderança que tem o PSDB aqui no
Brasil", afirmou Bolsonaro.
O ministro da Economia, Paulo Guedes,
afirmou que as medidas tomadas durante a pandemia facilitaram a
obtenção de empréstimos, que a economia se recuperou em "V" e que a
ajuda para esse setor em específico foi criada porque as empresas em
questão ainda não conseguiram se levantar.
"A economia realmente
esta voltando e é só [termos] um pouco de paciência com essa turma, que
estamos chegando para ajudá-los", disse. "São as primeiras medidas que
fazemos localizadas. Sempre fizemos transversais, para todo mundo, a
maior parte da economia já se levantou, essa turma ficou no chão e
estamos indo para resgatá-los", afirmou.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR