
O
ministro da Economia, Paulo Guedes, informou a parlamentares que o
governo prepara um programa direcionado aos brasileiros mais vulneráveis
que não estão incluídos no Bolsa Família e no Benefício de Prestação
Continuada (BPC). Nesse grupo, se enquadram muitos jovens que não
estudam nem trabalham, os chamados “nem-nem”.
“Nosso maior
desafio são os invisíveis, e, em breve, vamos soltar o bônus de inclusão
produtiva”, afirmou o ministro, durante audiência pública virtual da
Câmara dos Deputados. No domingo, em entrevista ao jornal O Globo, ele
informou que o novo programa buscará fazer com que empresas treinem os
beneficiários — e que o governo pagará por isso.
“Da mesma forma
que você dá R$ 200 para uma pessoa que está habilitada para receber o
Bolsa Família, por que não pode dar R$ 200 ou R$ 300 para um jovem
nem-nem? Ele nem é estudante nem tem emprego. É um dos invisíveis”,
disse ele na entrevista à publicação.
O ministro disse que é
preciso criar um programa bem fundamentado para a erradicação da
miséria, como era a proposta do Renda Brasil — abandonada pelo
presidente Jair Bolsonaro —, assim que o auxílio emergencial acabar.
Guedes admitiu que poderia ser criado um benefício com valor superior à
média do atual auxílio, de R$ 250, que começou a ser pago no mês passado
durante quatro meses.
“Quando o auxílio
emergencial for interrompido, tem que ser substituído por um sistema
sustentável, com um valor mais alto, mas não sei se vamos chegar a R$
600”, disse.
Para especialistas, um novo programa de inclusão
social é positivo, apesar de não haver espaço no Orçamento. Além disso,
afirmam que é preciso que o governo tenha cuidado no desenho do
benefício para evitar que as pessoas fiquem dependentes e não consigam
ter mobilidade social.
“O governo pode ser bem sucedido nesse
projeto, mas não tem espaço fiscal. Será necessário planejamento para
não se criar uma massa permanente de subempregados”, alertou Sergio
Vale, economista-chefe da MB Associados. De acordo com relatório da
consultoria, o Brasil está em terceiro lugar num ranking de 19 países
considerados mais vulneráveis em termos macroeconômicos e de gestão
ambiental e social.
Contrapartida
O
ministro ainda reforçou a necessidade de um programa de combate à
pobreza que não tenha intermediários, em que o dinheiro vá diretamente a
quem precisa. Ao mesmo tempo, lembrou que, para criar o benefício de R$
600, foi preciso uma contrapartida: o congelamento dos salários do
funcionalismo por dois anos. “Isso ajudou a reduzir o aumento da dívida
pública, que ficou abaixo dos 100% do PIB que achávamos que íamos
bater”, disse.
Na avaliação de Guedes, criar um benefício
permanente de R$ 600 não é sustentável fiscalmente, e, por isso, nenhum
governo social-democrata ou de esquerda conseguiu criar algo nesse
sentido até hoje. “O PT criou o Bolsa Família, e ele não é de R$ 600
porque não tinha fonte estável. Ele foi no valor que dava para pagar”,
afirmou.
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR