Publicada em 05/05/2021 às 10h22.
Setor industrial pernambucano em busca da retomada
Quem faz a afirmação é o diretor-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Ricardo Essinger.


Entrevista foi feira pela Folha de Pernambuco / Reprodução da Folha.


A Folha Finanças desta semana entrevistou Ricardo Essinger, diretor-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). Ele foi entrevistado por Eduarda Haeckel, do Inspiração Invest, publicitária com MBA em Marketing e cofundadora da Editora Inspiração.

 

Na conversa, Essinger fala sobre a situação do segmento industrial em Pernambuco em meio à pandemia da Covid-19, os principais desafios enfrentados pelas indústrias durante este período, e como a Fiepe pode contribuir para que as empresas consigam se manter e buscar uma retomada econômica.


Confira a seguir a entrevista com o presidente da Fiepe, Ricardo Essinger:

 

A economia mundial está sofrendo os efeitos da pandemia. Como tem sido para o setor industrial em Pernambuco?


Quando a pandemia teve seu início no ano passado, aqui em Pernambuco, nos deparamos com o desconhecido. A paralisação das atividades prejudicou muito o setor e, naturalmente, os postos de trabalho gerados. E, mesmo um ano depois, essa realidade ainda está difícil para o setor. Dados mais recentes do Caged apontam que, no acumulado deste ano, ou seja, entre janeiro e fevereiro de 2021, a indústria pernambucana perdeu 8.123 vagas (incluindo apenas indústrias da transformação e extrativa).

 

Sabemos que, além de ter ceifado vidas, a pandemia gerou danos graves à economia e à saúde financeira dos negócios, sobretudo dos pequenos, que, dia após dia, lutam para sobreviver. Segundo recente levantamento feito pela Fiepe, 37,3% dos empresários ainda vão sofrer com queda de faturamento e outros 48,5% vão se manter estagnados, enquanto apenas 14,2% acreditam numa recuperação em curto prazo, mesmo um ano após a chegada da doença no Estado.

 

Como se observa, são muitas as lacunas deixadas pela crise da Covid-19, principalmente neste começo do ano, quando se esperava que tivéssemos uma realidade um pouco diferente e esperançosa. É isso o que nos mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) de Pernambuco, que, em abril, se manteve estável. Isso significa dizer que o cenário ainda é visto com cautela pelos empresários locais, já que eles experimentaram uma queda brusca desse sentimento entre fevereiro e março de 2021, em razão da imposição de novas medidas restritivas.

 

Mesmo com o ICEI positivo com 53,4 pontos, o sinal é de alerta porque o cenário ainda está distante dos patamares alcançados antes da pandemia, sobretudo porque os novos casos de Covid-19 vêm assustando o mercado e fragilizando as condições atuais. Quanto ao futuro, ele sempre será esperançoso, desde que medidas contra a Covid-19 sejam tomadas para o bem da sociedade e também da economia.

 

A falta de matéria-prima e de insumos tem sido uma dificuldade para o setor e, consequentemente, para a sociedade, que vem sentindo o aumento nos preços dos produtos.

 

Como tem sido para o setor produtivo fechar essa conta?

 

Não é fácil. Desde que esse assunto passou a ser uma dificuldade para o nosso setor, a Fiepe e a CNI vêm monitorando, pois perceberam que as dificuldades atuais são resultado das incertezas que a economia vem atravessando também nesta segunda onda, quando muitas empresas cancelaram a compra de insumos ou precisaram recorrer a fornecedores diante de um estoque esvaziado.

 

Em pesquisa recente, a CNI apontou que a escassez de insumos e matérias-primas nacionais para a produção atingiu 73% das indústrias em geral e 72% da indústria da construção. Para os empresários pernambucanos, a maior aflição está relacionada à dificuldade de encontrar os insumos e esse fato fica evidente, por exemplo, no caso do plástico e da celulose, que integram embalagens de diversos produtos da indústria de transformação, e dos insumos para a construção civil. Tanto que 70% deles ainda estavam sofrendo com a escassez de matéria-prima e com a alta nos preços, em março (quando a pesquisa foi feita), que, para 24,4% dos empresários, já ultrapassa 60% de aumento.

 

O reflexo para os consumidores, infelizmente, acontece, porque não há condições de as empresas suportarem todos os custos, e somado a isto temos a restrição do capital de giro e a dificuldade do acesso a crédito. Espera-se que este cenário mude, mas, agora diante desta nova onda, que mudou a cadeia global de suprimentos, a expectativa é que isso ocorra somente no segundo semestre.


FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.


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