
Deputada Carla Zambelli e cantor Netinho / Reprodução da Folha.
O
músico Manno Góes, compositor de "Milla" (1996), vai entrar com uma
ação judicial contra a deputada federal Carla Zambelli (PSL) para que ela
retire do seu canal no YouTube vídeo em que o cantor Netinho, 54, aparece
cantando a música na manifestação pró-Bolsonaro, que aconteceu na avenida
Paulista, em São Paulo, no sábado (1º).
O
advogado Rodrigo Moraes, que representa Góes, afirmou que a parlamentar será
processada também por dano moral, com um pedido de indenização de, no mínimo,
R$ 200 mil. Segundo ele, mesmo que o vídeo seja retirado do ar, a ofensa à
reputação do músico como autor já foi concretizada. A petição inicial deve ser
ajuizada até sexta (7), segundo informou.
"Isso
gera um dano, as pessoas podem pensar que Manno esteja ganhando
indiretamente", diz Moraes, que é professor de direito autoral. O advogado
afirmou que no domingo (2) notificou, por email e de forma extrajudicial,
Zambelli e o partido PSL para a retirada das imagens no YouTube.
"No
vídeo aparece o refrão da música com aquela multidão bolsonarista cantando,
quando o autor é veementemente contrário a ideologia de Bolsonaro. É fato
público e notório que ele tem completa rejeição a Bolsonaro", diz.
Góes já tinha criticado a execução
da música no ato, no domingo (2). "Netinho ontem [dia 1º] cantou 'Milla'
no ato em que pessoas brancas, na Paulista, gritavam 'eu autorizo', para
Bolsonaro. Autorizam o quê? Golpe militar?", indagou o cantor em seu
Twitter. "Portanto, eu não autorizo esse débil mental de cantar minha
música", completou.
Posteriormente,
o músico pediu desculpas pelo uso da expressão débil mental. "Agradeço a
todos que me chamaram atenção, mesmo apoiando meu desabafo. Estamos aqui para
aprender e melhorarmos como pessoa. É o que quero para mim: aprender, evoluir,
consertar", escreveu ele no Twitter.
Segundo
o advogado, a ação não pode ser confundida com censura. "Manno não impede
que Netinho exerça a sua profissão de artista executando essa música, até
porque ele vai ser beneficiado com a arrecadação de direitos autorais nos
shows. Agora, a partir do momento, que você grava uma obra e coloca no YouTube
é completamente diferente de uma execução pública em show ao vivo. Neste caso,
há necessidade, sim, de autorização do autor", defende Moraes.
Ele
complementa que Góes não compôs a música com a finalidade de apoio político,
"sobretudo um político que ele tem rejeição". "O direito moral
do autor não pode ser confundido com censura", acrescentou.
Procurada,
a assessoria da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) esclareceu que recebeu
apenas um e-mail, sem qualquer procuração, notificação extrajudicial ou outro
documento. "A assessoria jurídica até solicitou o envio da procuração, mas
o advogado se recusou a enviar", diz.
Em nota, a deputada afirma entender que não houve nenhuma irregularidade e está
amparada pelas exceções da Lei de Direitos Autorais. Ela diz que tem interesse
em resolver o conflito extrajudicial, mas o compositor não quer. "Até
possuímos interesse na resolução extrajudicial do conflito, mas se o compositor
já deixou bem claro que só pretende resolver a demanda na Justiça, então vamos
nos defender judicialmente. Nossa equipe entrou em contato ao longo do dia de
hoje e não teve qualquer retorno, e as ligações foram rejeitadas".
Já
representantes de Netinho afirmaram que o cantor não vai se pronunciar sobre o
assunto.
Manno
Góes autorizou a regravação do hit por Daniela Mercury. "Meu amigo
querido! Eu entendo a sua agonia! Por isso, vou gravar 'Milla'. Essa música é
amor, é liberdade! 'Milla' é nossa", escreveu a cantora em suas redes
sociais, dirigindo-se ao compositor.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.