/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/B/h/JJrxd0SxKd93Pf7BJ7dg/cimento-nassau.jpg)
Registros da Operação / Reprodução do google.
O Grupo João Santos, dono da empresa Cimento Nassau e um dos maiores conglomerados empresariais do Nordeste, é alvo de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF), da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e da Receita Federal. São investigados crimes tributários, financeiros, trabalhistas e de lavagem de dinheiro (veja vídeo acima).
Segundo a Procuradoria da Fazenda, as empresas do Grupo João Santos têm dívidas tributárias, de R$ 8,6 bilhões, e trabalhistas, de R$ 55 milhões. Elas são suspeitas de sonegar impostos e direitos trabalhistas de centenas de empregados. Os trabalhadores, de acordo com as investigações, ficavam sem receber salários e outros direitos trabalhistas.
Em nota, o advogado Taney Farias, que representa o grupo, afirmou que as empresas foram surpreendidas pela operação e que "cabe aos acusados se colocar à disposição para prestar todos os esclarecimentos".
Denominada Background, a operação foi desencadeada nesta quarta-feira
(5) e teve 53 mandados de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Penal da
Justiça Federal.
As ações ocorrem em Pernambuco, em São Paulo, no Amazonas, no Pará e no Distrito Federal. De acordo com a PF, mais de 240 policiais cumprem medidas judiciais nesses locais.
"Essa empresa possui débitos no Norte, Nordeste e Sudeste. A Procuradoria iniciou um trabalho devido ao passivo tributário. A dívida inicia na Receita e é encaminhada para a Procuradoria, quando o contribuinte não quita essa dívida", explicou o procurador-regional da Fazenda Nacional em Pernambuco, Alexandre Freire.
A polícia informou que o Grupo João Santos é suspeito de organizar um sofisticado esquema contábil-financeiro para desviar o patrimônio das empresas do grupo. Esses valores eram transferidos para sócios e interpostas pessoas (laranjas).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/A/c/fnNLjARmS09KyJCRMr3w/nassau-recife.jpeg)
Registros da Operação / Reprodução do google.
Segundo a Receita Federal, mais de 20 empresas do grupo eram utilizadas
num esquema chamado de "factoring", para desviar receitas que
poderiam ser usadas para quitar dívidas trabalhistas e tributárias. Também foi
verificada a ocorrência de subfaturamento em exportações, "com o claro
objetivo de remeter, ilicitamente, recursos ao exterior".
A operação busca, também, permitir que as famílias de trabalhadores recuperem os seus direitos por meio da Justiça do Trabalho, que, inclusive, já os reconheceu formalmente.
A investigação foi nomeada Background devido à suspeita de ocultação de patrimônio com a criação de empresas paralelas e sócios aparentes.
Os crimes investigados, segundo a Receita federal, são sonegação fiscal, apropriação indébita, evasão de divisas, frustração de direitos trabalhistas, operação de instituição financeira não autorizada e lavagem de dinheiro.
Por parte da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, as investigações começaram em 2018. Segundo Alexandre Freire, ao entrar em contato com a Polícia Federal, a Procuradoria foi informada de que havia um inquérito em andamento que tinha como alvo o mesmo grupo empresarial.
Cerca de 50 procuradores da Fazenda Nacional trabalham na ação, além de 53 equipes da Polícia Federal e várias equipes de auditores fiscais da Receita Federal.
Nesta fase, segundo a PF, as investigações buscam colher "elementos de materialidade e indícios de autoria", para, posteriormente, recuperar o patrimônio desviado e ocultado pelos investigados.
FONTE: G1.