
A
Polícia Federal encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido
de abertura de inquérito para investigar supostos repasses ilegais ao
ministro Dias Toffoli. O pedido tem como base o acordo de colaboração
premiada de Sérgio Cabral.
Segundo informações obtidas pela
reportagem, o ex-governador do Rio de Janeiro afirma que Toffoli recebeu
R$ 4 milhões para favorecer dois prefeitos fluminenses em processos no
TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Toffoli foi ministro da corte de 2012 a 2016, tendo sido presidente de maio de 2014 a maio de 2016.
Os
pagamentos, diz Cabral, teriam sido realizados nos anos de 2014 e 2015 e
operacionalizados por Hudson Braga, ex-secretário de Obras do Rio de
Janeiro. Os repasses, na versão do delator, teriam envolvido o
escritório da mulher de Toffoli, a advogada Roberta Rangel.
Essa é a primeira vez que a Polícia Federal pede ao Supremo apuração que envolve um ministro da própria corte.
O
pedido de investigação faz parte de um novo pacote de inquéritos
solicitados pela PF a partir da análise da delação do ex-governador,
condenado a mais de 300 anos de prisão.
O material foi enviado ao
relator do caso, ministro Edson Fachin, que já encaminhou para a PGR
(Procuradoria-Geral da República) se manifestar.
Cabral fechou o acordo com a polícia após negativa da PGR e dos procuradores que atuam no Rio de Janeiro.
A
delação foi homologada em fevereiro de 2020 por Fachin, que autorizou a
abertura de diferentes inquéritos e encaminhou para o então presidente,
Dias Toffoli, com pedido de distribuição. As investigações miravam
ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça), do TCU (Tribunal de
Contas da União) e políticos.
Ainda em 2020, Toffoli
desconsiderou a decisão de Fachin pela abertura dos casos, pediu
manifestação de Augusto Aras e arquivou as investigações -três delas
durante o recesso de julho e as outras pouco antes de deixar a
Presidência, em setembro.
Há um recurso pedindo reconsideração
dos arquivamentos nas mãos da ministra Rosa Weber, vice-presidente do
Supremo. Essa análise seria atribuição do presidente Luiz Fux, que se
declarou impedido de atuar nesses processos.
Na nova leva de
inquéritos, assim como nos anteriores, a PF fez uma validação prévia das
informações, com base em dados de fontes abertas, para checar se há
possibilidade mínima para seguir a apuração.
Esses relatórios de validação também foram encaminhados ao STF junto aos depoimentos de Cabral.
O
ministro Dias Toffoli afirmou, por meio da assessoria, não ter
conhecimento dos fatos mencionados e disse que jamais recebeu os
supostos valores ilegais.
Por meio da assessoria, o ministro
refutou a possibilidade de ter atuado para favorecer qualquer pessoa no
exercício de suas funções.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR