
O
relator da proposta de reforma administrativa (PEC 32/190) na Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, deputado Darci
de Matos (PSD-SC), leu ontem seu parecer favorável ao texto. A votação
do relatório, no entanto, foi suspensa pela presidente da CCJ, deputada
Bia Kicis (PSL-DF), após os deputados pedirem vistas — mais tempo para
analisar o texto — e deve ser retomada na próxima quinta-feira (20).
Darci
de Matos já havia protocolado seu relatório na semana passada, quando
votou pela admissibilidade do texto por entender que ele se encaixa
dentro dos padrões constitucionais. Desta vez, o relator formalizou
propostas de alteração ao texto por meio de emendas supressivas à
matéria — ou seja, dois pontos a serem retirados do texto.
A
primeira emenda diz respeito à proibição, prevista na PEC, de qualquer
outra atividade remuneratória por servidores que não seja o cargo
público que ocupa. Darci de Matos entende que essa proibição é
inconstitucional, e outras atividades remuneradas podem ser exercidas,
caso não atrapalhem o trabalho do servidor na administração pública.
Já
a segunda emenda diz respeito a um trecho do texto que permitiria ao
presidente da República extinguir órgãos públicos, como o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), via decreto — medida que o relator
considerou inconstitucional. Segundo ele, o trecho fere o sistema de
pesos e contrapesos, que garante a separação dos Poderes.
O texto
estabelece, ainda, que leis complementares tratarão de temas como
política de remuneração, ocupação de cargos de liderança e
assessoramento, progressão e promoção funcionais e definição das
chamadas carreiras típicas de Estado.
O relator espera que o
documento seja apreciado pelo plenário da Casa até o fim do primeiro
semestre e siga imediatamente para o Senado. Mas, diante da guerra
travada pelo funcionalismo nos bastidores, a possível aprovação começa a
ficar cada vez mais distante.
São vários os motivos que apontam,
segundo analistas, que o governo age contra ele mesmo. Um dos exemplos é
o decreto que abriu as portas para expansão de gastos, com
supersalários acima do teto constitucional de R$ 39,2 mil mensais a
aposentados e pensionistas civis e militares reformados — em cargos
comissionados e de confiança. E contradiz o discurso do ministro da
Economia, Paulo Guedes, de que o objetivo da reforma é “controlar as
despesas no longo prazo”.
Há outros problemas. O relator Darci de
Matos protocolou na semana passada seu relatório da PEC 32, de autoria
do governo federal, com emendas supressivas. A proposta original
restringe a estabilidade no serviço público e cria cinco tipos de
vínculos com o Estado. As mudanças valerão para os novos servidores.
Entre
os importantes aliados dos funcionários públicos está o deputado
Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara dos Deputados. Ele
afirma que a reforma administrativa não pode ser aprovada às pressas,
muito menos ser matéria prioritária do Congresso neste momento em que a
pandemia e seus desdobramentos devem estar no centro das atenções.
Na
semana passada, em live da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público,
Ramos se disse contrário ao fim da estabilidade, afirmou que
privilégios no funcionalismo são exceção e que a avaliação de desempenho
no serviço público deve ser rediscutida. Ele também se mostrou
contrário à intenção do governo de permitir ao presidente da República
extinguir órgãos públicos apenas com canetadas.
O presidente da
Frente Parlamentar da Reforma Administrativa, deputado Tiago Mitraud
(Novo-MG), defende a reforma, mas condena os supersalários. Já o
deputado Professor Israel Batista (PV-DF), presidente da Frente
Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, embora tenha restrições à
PEC 32, igualmente discorda dos supersalários.
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR