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O
Sistema Único de Saúde (SUS) vive um momento desafiador, com duas grandes
campanhas de vacinação em curso no Brasil: a da Gripe, realizada anualmente, e
a da Covid-19, que acontece pela primeira vez após o surgimento do coronavírus
Sars-CoV-2, em dezembro de 2019, na China.
A
realização simultânea dessas campanhas tem confundido a cabeça de algumas
pessoas, que se veem na dúvida sobre a necessidade de tomar ambas as vacinas,
qual delas priorizar, se é necessário fazer um intervalo entre as doses, entre
outros aspectos.
A
Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe estabeleceu um cronograma
diferente neste ano justamente para tentar evitar que as fases tivessem choque
com os públicos-alvos da Covid-19.
Os
idosos, que, normalmente, estão logo na primeira fase da imunização contra a
Gripe, foram incluídos apenas na segunda. Já as gestantes, puérperas e crianças
entre seis meses e seis anos saíram do terceiro para o primeiro grupo, ao lado
dos profissionais de saúde e dos povos indígenas.
É
importante lembrar que a abertura de novos grupos, tanto na campanha da Gripe
quanto na da Covid-19, não impede que os públicos de fases anteriores continuem
se vacinando.
Qual tomar primeiro?
Se você já tem a possibilidade de tomar a vacina contra a Covid-19, a
preferência deve ser dada a ela, por ser um vírus novo e ter um cenário
elevado de infecções.
Embora haja uma base de prioridade sugerida pelo Programa Nacional de
Imunizações (PNI), esses critérios, no momento, têm sido divergentes entre os
estados e até mesmo entre cidades de uma única federação.
Então,
o ideal é que cada pessoa acompanhe o cronograma do município onde reside para
saber em qual momento poderá receber o imunizante contra o coronavírus
Sars-CoV-2.
Caso
você ainda não tenha passe-livre para tomar a vacina contra a Covid-19, mas
esteja no grupo contemplado na campanha contra a Gripe, a indicação é para
tomar logo esse imunizante.

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Gripe
Até o dia 8 de junho, têm direito a se vacinar contra a Gripe, pelo SUS, as
pessoas acima de 60 anos, gestantes, puérperas, crianças entre seis meses e
seis anos, profissionais de saúde, povos indígenas e professores das redes
pública e privada.
Composta
por vírus inativado, a vacina aplicada pelo SUS é trivalente e protege contra
os três tipos de vírus que mais circulam no hemisfério sul, sendo duas cepas de
Influenza A e uma cepa de Influenza B.
A
vacina contra a Gripe também pode ser encontrada em clínicas particulares.
Nesse caso, não há restrição de acesso por idade, comorbidades ou grupo
profissional.
Os
imunizantes utilizados nessas unidades são, em geral, quadrivalentes (cobrem
duas cepas de Influenza A e outras duas cepas de Influenza B) e custam entre R$
120 e R$ 150.
Intervalo entre doses
Tanto no SUS quanto nas clínicas particulares, as doses da vacina contra a
Gripe são únicas. Já contra a Covid-19, todos os imunizantes atualmente em uso
no Brasil necessitam de duas doses. O que varia entre eles é o intervalo
sugerido entre as doses.
Para
a CoronaVac, o intervalo varia entre 14 e 28 dias, enquanto as vacinas
produzidas pela AstraZeneca/Oxford e pela Pfizer/BioNTech têm indicação de 12
semanas.

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Pode tomar as duas vacinas juntas?
Ministério da Saúde, entidades como a Sociedade Brasileira de Imunizações e
gestões estaduais e municipais sugerem que seja dado um intervalo de 14 dias
entre a aplicação da vacina contra a Gripe e a aplicação da vacina contra a
Covid-19.
Nesse
caso, aquelas pessoas que estão recebendo a CoronaVac devem esperar a conclusão
do esquema vacinal contra o coronavírus antes de tomar a vacina da Gripe.
Já
quem recebeu os imunizantes da AstraZeneca/Oxford ou da Pfizer/BioNTech pode
tomar a vacina da Gripe no período de intervalo entre a primeira e a segunda
dose, desde que respeite a recomendação de espaçar 14 dias (depois da primeira
dose ou antes da segunda).
Se
você tomou a vacina contra a Gripe e o seu município liberou a aplicação da
Covid-19 para o seu perfil, o ideal é aguardar os 14 dias antes de receber a
primeira dose contra o coronavírus, independente de qual imunizante vier a ser
utilizado.
Essa
indicação é feita porque ainda não têm estudos suficientes para garantir a
segurança e, sobretudo, a eficácia das vacinas contra a Covid-19 quando tomadas
de forma concomitante com outros imunizantes, além de facilitar o monitoramento
dos eventos adversos após o uso desses imunizantes.
Vale
ressaltar que casos emergenciais, como a necessidade de vacina antirrábica ou
de profilaxia pós-exposição, esses 14 dias de intervalo após a aplicação do
imunizante contra a Covid-19 não devem ser considerados.
Devo tomar as duas vacinas?
Se
possível, sim, pois tanto o influenza quanto o coronavírus Sars-CoV-2 promovem
doenças que afetam o sistema respiratório e podem, à primeira vista, ter
quadros semelhantes.
Gripe
e Covid-19 podem ocasionar a chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag),
gerando a necessidade de internação hospitalar. Assim, existe o risco de
contrair o vírus influenza e, pelos sintomas, ser internado em uma ala para
Covid-19.
Com
a vacina, a tendência é que o paciente desenvolva quadros menos severos em
ambas as doenças. Dessa forma, além de se proteger, ajuda a desafogar o sistema
de saúde.
FONTE:
FOLHA DE PERNAMBUCO.