Publicada em 30/05/2021 às 11h03.
Mais baleias-jubarte são vistas em maio de 2021 no litoral de SC do que nos últimos 20 anos
Anomalia na temperatura do mar pode ter influenciado na presença dos animais, segundo Epagri/Ciram. Ao menos 13 foram avistadas neste mês e VÍDEO mostra mergulho de uma delas.


"Nunca tivemos tantas avistagens de jubarte assim perto da costa por tanto tempo", afirma a bióloga Karina Groch, que coordena o projeto.

 

"Este ano, não se compara: é a primeira vez que há tantas avistagens de jubarte desde sempre, desde que a gente atua na região. Assim, como este ano, de termos tantas delas próximo da costa, de poder ver a partir de terra e receber tantos registros, nunca tinha acontecido", diz Karina.

Entre as possíveis causas para o aumento pode estar uma anomalia na temperatura da água, segundo informou o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram) na sexta (28).

 

O mergulho de uma dessas jubartes foi flagrado na região da Ilha do Campeche na quinta (27) na capital. Só no último domingo (23), 13 foram vistas em Florianópolis. O trabalho para proteção de baleias-francas na região Sul completa 40 anos em 2022. Neste período, outras espécies foram monitoradas. "Mas mais sistematicamente, que a gente está presente direto aqui ao longo de toda a temporada da baleia-franca, é desde o início dos anos 2000. Então desde ali a gente não tinha visto tanta baleia-jubarte como agora neste mês de maio", detalha Karina.

 

O registro de quinta-feira (27) foi feito por Rafael Costa quando estava na Ilha do Campeche. Ele conta que já tinha visto a jubarte outras vezes, mas ainda não tão de perto.

 

Para não assustar o animal, desligou o motor da embarcação. "Frequento aqui [Ilha do Campeche] todos os anos, acabo tendo essa sorte quase todos os invernos. [...] Essa foi a primeira que veio perto", disse.

 

As imagens feitas por ele e também por outras pessoas na região, assim como registros dos próprios pesquisadores, são analisados. Assim, é possível saber se o mesmo individuo foi visto em locais diferentes, definir números e também obter outras informações que ajudam no trabalho de conservação da espécie. Além de acompanhar as jubartes, o Instituto, junto com diversas outras entidades, integra a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, espécie foco do projeto.

 

"As francas normalmente chegam a partir de julho, mas algumas podem aparecer antes, ainda em junho, então estamos ainda esperando. As jubartes nos pegaram de surpresa", conta a coordenadora. 

 


Baleias foram vistas em Campeche / Reprodução do G1.


Anomalia no mar e recuperação das jubartes:

 

Como as baleias procuram águas mais quentes para reproduzir, um aumento da temperatura na superfície do mar pode ter influenciado na presença delas. A informação foi divulgada na sexta-feira (28) pelo órgão estadual que monitora o tempo no estado.

 

No início de maio foi observada uma anomalia positiva na temperatura de superfície do mar no litoral de Santa Catarina, associada a uma anomalia negativa na região oceânica. Esse fenômeno pode ajudar a explicar a presença das baleias jubartes tão próximas do litoral de Santa Catarina esse ano", informou a Epagri/Ciram.

 

Não foi detalhado de quantos graus seria esta diferença de temperatura constatada. Outra possível causa para o aumento da presença desses animais em águas catarinense é positiva.

 

"Provavelmentedecorrente da recuperação populacional das jubartes. Elas estão ampliando a área de distribuição, já saíram da lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil e estão ocupando áreas adjacentes à principal área de concentração reprodutiva, que é em Abrolhos [entre o sul da Bahia e Norte do Espírito Santo]".

 

Ainda segundo Karina, Santa Catarina está na rota migratória. A diferença é que agora as baleias, que geralmente transitam por alto mar, estão se aproximando mais da costa. Ainda não se sabe se este fluxo pode ter também relação com disponibilidade de alimentos.

 

Desde 2014, tem aumentado o número de baleias-jubarte vistas no litoral catarinense. "Em 2015, começamos a ter encalhes de baleia-jubarte. Aí passamos a ter avistagens, esporadicamente, de vez em quando tem, mas avistagens aleatórias e encalhes de vez em quando de baleias mortas", reforça Karina sobre o diferencial deste ano. Em 2020 não houve relatos de avistagens.

 

FONTE: G1.

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