"Este ano, não se compara: é a primeira vez que há tantas
avistagens de jubarte desde sempre, desde que a gente atua na região. Assim,
como este ano, de termos tantas delas próximo da costa, de poder ver a partir
de terra e receber tantos registros, nunca tinha acontecido", diz Karina.
Entre
as possíveis causas para o aumento pode estar uma anomalia na temperatura da
água, segundo informou
o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa
Catarina (Epagri/Ciram) na sexta (28).
O mergulho de uma dessas jubartes foi flagrado na região da Ilha do Campeche
na quinta (27) na capital. Só no último domingo (23), 13 foram vistas em
Florianópolis. O trabalho para proteção de baleias-francas na região Sul
completa 40 anos em 2022. Neste período, outras espécies foram monitoradas.
"Mas mais sistematicamente, que a gente está presente direto aqui ao longo
de toda a temporada da baleia-franca, é desde o início dos anos
2000. Então desde ali a gente não tinha visto tanta baleia-jubarte como
agora neste mês de maio", detalha Karina.
O registro de quinta-feira (27) foi feito por Rafael Costa quando estava
na Ilha do Campeche. Ele conta que já tinha visto a jubarte outras vezes, mas
ainda não tão de perto.
Para não assustar o animal, desligou o motor da embarcação.
"Frequento aqui [Ilha do Campeche] todos os anos, acabo tendo essa sorte
quase todos os invernos. [...] Essa foi a primeira que veio perto", disse.
As imagens feitas por ele e também por outras pessoas na região,
assim como registros dos próprios pesquisadores, são analisados. Assim,
é possível saber se o mesmo individuo foi visto em locais diferentes, definir
números e também obter outras informações que ajudam no trabalho de
conservação da espécie. Além de acompanhar as jubartes, o Instituto, junto com
diversas outras entidades, integra a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia
Franca, espécie foco do projeto.
"As francas normalmente chegam a partir de julho, mas algumas podem
aparecer antes, ainda em junho, então estamos ainda esperando. As jubartes nos pegaram de surpresa", conta
a coordenadora.
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Baleias foram vistas em Campeche / Reprodução do G1.
Anomalia no mar e recuperação das jubartes:
Como as baleias procuram águas mais quentes para reproduzir, um aumento
da temperatura na superfície do mar pode ter influenciado na presença delas. A
informação foi divulgada na sexta-feira (28) pelo órgão estadual que monitora o
tempo no estado.
“No início de maio foi
observada uma anomalia positiva na temperatura de superfície do mar no litoral
de Santa Catarina, associada a uma anomalia negativa na região oceânica. Esse
fenômeno pode ajudar a explicar a presença das baleias jubartes tão próximas do
litoral de Santa Catarina esse ano", informou a Epagri/Ciram.
Não foi
detalhado de quantos graus seria esta diferença de temperatura constatada.
Outra possível causa para o aumento da presença desses animais em águas
catarinense é positiva.
"Provavelmente, decorrente da recuperação populacional das jubartes. Elas estão ampliando a área de distribuição,
já saíram da lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil e estão ocupando
áreas adjacentes à principal área de concentração reprodutiva, que é em
Abrolhos [entre o sul da Bahia e Norte do Espírito Santo]".
Ainda
segundo Karina, Santa Catarina está na rota migratória. A diferença é que agora
as baleias, que geralmente transitam por alto mar, estão se aproximando mais da
costa. Ainda não se sabe se este fluxo pode ter também relação com
disponibilidade de alimentos.
Desde 2014, tem aumentado o número de baleias-jubarte
vistas no litoral catarinense. "Em 2015, começamos a ter encalhes de
baleia-jubarte. Aí passamos a ter avistagens, esporadicamente, de vez em quando
tem, mas avistagens aleatórias e encalhes de vez em quando de baleias mortas",
reforça Karina sobre o diferencial deste ano. Em 2020 não houve relatos de
avistagens.
FONTE: G1.