
Em entrevista a Tv Jornal, a jovem de 17 anos que foi baleada no ombro pelo ex-padrasto, na última quarta-feira (11), no bairro dos Aflitos, no Recife, revelou que era vítima de abusos sexuais dele há 8 anos. Após invadir o apartamento onde a família morava, o homem de 41 anos também tentou assassinar a ex-esposa e depois se matou.
"Ele entrava no meu quarto de madrugada, ficava me olhando às vezes se tocava. (...) Como eu cresci com ele, tinham certas coisas que eu só descobri que eram erradas quando eu comecei a estudar sobre a relação sexual e DSTs. Então fui abrindo os olhos e desenvolvendo ansiedade e vários outros problemas", relatou a vítima.
Segundo ela, a família se mudou de Patos, no estado da Paraíba, após ela ter contado os abusos para a mãe. O ex-padrasto chegou a ameaçar a jovem, dizendo que ele iria matar ela e a sua mãe caso ela contasse os abusos para alguém. "Ou então falava: 'Todo mundo faz [sexo], é normal. Todas as meninas da sua idade fazem [sexo], o que é que tem?'", disse a jovem. O ex-padrasto soube que a menina teria contado os abusos à mãe e, para a vítima, o agressor chegou a se arrepender e, até, desenvolver depressão dizendo que iria se matar.
A jovem informou que após o divórcio do casal, em 5 de julho deste ano, o ex-padrasto tentou suicídio. O homem mantinha contato com a família através de ligações telefônicas, afirmando querer conversar pessoalmente com mãe e filha. Até que no último dia 11, o homem conseguiu subir no prédio e invadir o apartamento, ele estava armado.
"Minha mãe correu e se escondeu, se trancou no quarto. Meu irmão caçula se trancou no quarto e fechou a porta. Ficamos eu e meu irmão mais novo com ele. Ele atirou para o teto e meu irmão foi para cima dele, iniciando uma luta corporal. Teve mais dois tiros e meu irmão conseguiu arrastar ele para fora do quarto. Foi quando ele atirou em mim", informou a jovem.
Como contou na entrevista, a jovem disse que o homem olhou em direção a ela antes de efetuar o disparo. Para ela, ele tinha a intenção de que o irmão o soltasse e fosse socorrer ela, sem saída, ele apontou a arama para a própria cabeça e atirou.
De certa maneira a jovem disse que sentiu um alívio ao perceber que o pesadelo acabou. "Eu fui baleada. Mas para mim, foi libertador. Foi como tirar um peso grande das costas", disse a vítima.
FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR