
Presidente Jair Bolsonaro e Ministro Alexandre de Morais / Reprodução do google.
O presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta
sexta-feira (20) o pedido de impeachment ao Senado do ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
No último dia 14, o mandatário subiu o tom
dos ataques à cúpula do Judiciário depois da prisão do aliado Roberto Jefferson
(PTB), por ordem de Moraes. Por meio das redes sociais, Bolsonaro prometeu na
data que apresentaria ao Senado, nesta semana, um pedido de abertura de
processos contra os magistrados.
Na publicação, Bolsonaro voltou a fazer
ameaças contra a democracia. “Todos sabem das consequências, internas e
externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos”,
escreveu. “De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto
Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais.”
O chefe do Planalto acrescentou: “Na próxima
semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que
instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição
Federal. Lembro que, por ocasião de sua sabatina no Senado, o sr. Alexandre de
Moraes declarou: ‘Reafirmo minha independência, meu compromisso com a
Constituição e minha devoção com as liberdades individuais’”.
O artigo 52 atribui ao Senado a competência
para julgar crimes de responsabilidade de ministros do Supremo, o que pode
levar à perda dos seus cargos por impeachment. Desde a promulgação da
Constituição, esse dispositivo nunca foi aplicado pela Casa.
Bolsonaro concluiu a mensagem dizendo que “o
povo brasileiro não aceitará passivamente que direitos e garantias fundamentais
(art. 5º da CF), como o da liberdade de expressão, continuem a ser violados e
punidos com prisões arbitrárias, justamente por quem deveria defendê-los”.
Apesar de ter sido aconselhado por aliados a
recuar, o presidente repetiu no dia 17 que apresentaria ao Senado os pedidos,
mas alegou que não vai interferir na decisão dos senadores “cooptando-os”. “Eu
vou entrar com pedido de impedimento dos ministros no Senado, colocar lá. O
local é lá. O que o Senado vai fazer? Está com o Senado agora, independência.
Não vou agora tentar cooptar senadores, de uma forma ou de outra, oferecendo
uma coisa para eles etc etc etc, para votar o impeachment deles”.
Ainda em meio à crise entre os poderes, ao
desembarcar em Brasília ontem após Cuiabá, o mandatário se reuniu ontem com o
ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Bruno Bianco, no Palácio do
Planalto para acertar os detalhes dos pedidos de impeachment de Barroso e de
Moraes. O encontro não estava previsto na agenda dos dois.
No último dia 19, o presidente do Senado,
Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que não é recomendável neste momento de
retomada para o Brasil um pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal
Federal ou de presidente da República. Os ministros da Corte confiam que
Pacheco não dê prosseguimento ao pedido.
Ainda ontem, por meio da Advocacia-Geral da
União (AGU), ele entrou com ação no Supremo Tribunal Federal, pedindo a
suspensão do artigo 53 do regimento interno da Corte, que permite a abertura de
investigações de ofício, sem aval do Ministério Público Federal. Foi por meio
desse dispositivo que, em 2019, o então presidente do Supremo, Dias Toffoli,
instaurou a investigação sobre fake news.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não
haverá uma "ruptura" institucional de sua parte, mas alegou que o
"provocam o tempo todo".
O chefe do Executivo afirmou também que está
aberto ao diálogo, citando Moraes, Barroso e Salomão. No entanto, voltou a
atacar os magistrados e disse que a instabilidade política causa a elevação de
preços no país.
Nota de repúdio do STF:
O
Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou na noite desta sexta-feira (20) uma
nota oficial para repudiar o pedido de impeachment feito pelo presidente Jair
Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes.
A nota oficial, sem assinatura, em nome de todo o tribunal, diz ainda que a corte "manifesta total confiança" no ministro.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO / NOTÍCIA AO MINUTO.