
Imagem do filme "Carro Rei" / Reprodução do google.
O ousado filme “Carro Rei”, da diretora pernambucana Renata Pinheiro, foi o grande vencedor do 49º Festival de Cinema de Gramado, levando os prêmios de melhor filme, melhor trilha musical, melhor direção de arte e melhor desenho de som, na noite desse sábado (21). O festival foi realizado de forma remota, via streaming e TV fechada, pelo segundo ano consecutivo.
De acordo com a diretora do longa, Renata Pinheiro, “Carro Rei” é “sobre o quanto estamos nos transformando nesse homem tecnológico e quanto podemos nos desumanizar neste processo”. Com referências que passam pela ficção científica, o filme traz questões sobre a identidade brasileira e o atual momento do Brasil.
Em conversa com o Diario de
Pernambuco na semana passada, a diretora explicou o que a motivou na
empreitada. “Eu queria fazer um filme onde esses carros já falassem logo
enquanto os donos do lugar. Ele nasce dessas observações sobre nossas cidades
do Brasil e esse modelo econômico muito ligado à indústria automobilística, com
um boom econômico que colocou mais carros nas ruas, trazendo um modelo de
cidade que me incomoda muito. Isso começa em 2014, então o filme foi sendo
atualizado de lá pra cá com o avanço da tecnologia e esse uso de uma máquina
que ganha uma voz, mas também ganha um poder de manipulação”, explicou
Renata.
“Queria agradecer por ter essa voz
agora, estamos passando por um momento tão difícil de destruição total do nosso
setor que emprega tanta gente, que dá chance para tantos talentos brasileiros
entenderem o que é se comunicar, o que é criar uma expressão artística, o que é
ser brasileiro. Estão querendo destruir a gente e a gente não pode”, agradeceu
Pinheiro emocionada, que ainda fez um apelo à Cinemateca e um agradecimento a
todos que trabalharam no filme e nas produções brasileiras.
Além de "Carro Rei",
Pernambuco também foi representado no festival pelo curta "Per
Capita", da gaúcha radicada no estado, Lia Letícia.
Outros premiados:
A comédia de western “Jesus Kid”
garantiu a Aly Muritiba melhor direção e melhor roteiro em longa-metragem
brasileiro, uma adaptação do livro de Lourenço Mutarelli. O filme deu ainda a
Leandro Daniel Colombo o Kikito de melhor ator coadjuvante. A melhor atriz
coadjuvante foi Bianca Byington por “Homem Onça”.
O ator Nando Cunha consagrou-se
melhor ator pelo papel de Mauro em “O Novelo”. O prêmio tem um gosto especial
para ele, já que o papel foi conquistado justamente pela visibilidade e
reconhecimento em 2017 quando foi o melhor ator de curta-metragem brasileiro em
Gramado por “Telentrega”, despertando a atenção da diretora Claudia
Pinheiro.
“Estou feliz demais. Quero
agradecer a todos os atores que trabalharam comigo. Hoje, a gente fala muito de
posicionamento, das pessoas ficarem em cima do muro, é sobre a importância de
se posicionar e foi por eu me posicionar que esse filme nasceu. Eu era um
moleque que morava na Penha e costumava ver o festival de Gramado como o ‘Oscar
brasileiro’. E esse moleque ganhou hoje um ‘Oscar’ de melhor ator com longa
brasileiro tendo como concorrente Paulo Miklos e Matheus Nachtergaele que eu
sou muito fã, só agradecer demais”, exclamou.
A atriz Glória Pires, que já tem
um troféu Oscarito - homenagem entregue em 2013 no 41º Festival de Cinema de
Gramado -, conquistou agora seu primeiro Kikito pela atuação no drama policial
“A Suspeita”, de Pedro Peregrino. Ela não pôde participar virtualmente da
cerimônia pois estava no casamento da filha Cleo Pires.
Quem representou a atriz foi a produtora Daniela Busoli, que leu um depoimento de Glória em agradecimento ao prêmio. “Parabenizo o festival pela sua 49ª edição homenageando com muita justiça os profissionais do audiovisual brasileiro, essa caminhada ininterrupta especialmente nesse momento é uma enorme inspiração. Agradeço a Daniela Busoli e ao Leonardo Lessa por terem me recebido tão generosamente nesse projeto criado por Luis Eduardo Soares e dirigido pelo grande parceiro de tantas aventuras criativas Pedro Peregrino. Agradeço a cada profissional que trouxe sua criativa contribuição ao projeto, especialmente a nossa montadora Joana Collier. A vida é feita de encontros e fazer cinema é reproduzir a vida contando histórias que nos fazem questionar e buscar saídas mesmo quando não parece haver uma”.
FONTE: DIÁRIO DE PERAMBUCO.