Publicada em 23/08/2021 às 09h45.
Cinema Pernambucano: 'Carro Rei' leva o prêmio de melhor filme em Festival de Gramado
O festival foi realizado de forma remota, via streaming e TV fechada, pelo segundo ano consecutivo.


Imagem do filme "Carro Rei" / Reprodução do google.


O ousado filme “Carro Rei”, da diretora pernambucana Renata Pinheiro, foi o grande vencedor do 49º Festival de Cinema de Gramado, levando os prêmios de melhor filme, melhor trilha musical, melhor direção de arte e melhor desenho de som, na noite desse sábado (21). O festival foi realizado de forma remota, via streaming e TV fechada, pelo segundo ano consecutivo.


De acordo com a diretora do longa, Renata Pinheiro, “Carro Rei” é “sobre o quanto estamos nos transformando nesse homem tecnológico e quanto podemos nos desumanizar neste processo”. Com referências que passam pela ficção científica, o filme traz questões sobre a identidade brasileira e o atual momento do Brasil. 


Em conversa com o Diario de Pernambuco na semana passada, a diretora explicou o que a motivou na empreitada. “Eu queria fazer um filme onde esses carros já falassem logo enquanto os donos do lugar. Ele nasce dessas observações sobre nossas cidades do Brasil e esse modelo econômico muito ligado à indústria automobilística, com um boom econômico que colocou mais carros nas ruas, trazendo um  modelo de cidade que me incomoda muito. Isso começa em 2014, então o filme foi sendo atualizado de lá pra cá com o avanço da tecnologia e esse uso de uma máquina que ganha uma voz, mas também ganha um poder de manipulação”, explicou Renata. 

 

“Queria agradecer por ter essa voz agora, estamos passando por um momento tão difícil de destruição total do nosso setor que emprega tanta gente, que dá chance para tantos talentos brasileiros entenderem o que é se comunicar, o que é criar uma expressão artística, o que é ser brasileiro. Estão querendo destruir a gente e a gente não pode”, agradeceu Pinheiro emocionada, que ainda fez um apelo à Cinemateca e um agradecimento a todos que trabalharam no filme e nas produções brasileiras.

 

Além de "Carro Rei", Pernambuco também foi representado no festival pelo curta "Per Capita", da gaúcha radicada no estado, Lia Letícia. 

 

Outros premiados:

 

A comédia de western “Jesus Kid” garantiu a Aly Muritiba melhor direção e melhor roteiro em longa-metragem brasileiro, uma adaptação do livro de Lourenço Mutarelli. O filme deu ainda a Leandro Daniel Colombo o Kikito de melhor ator coadjuvante. A melhor atriz coadjuvante foi Bianca Byington por “Homem Onça”.

 

O ator Nando Cunha consagrou-se melhor ator pelo papel de Mauro em “O Novelo”. O prêmio tem um gosto especial para ele, já que o papel foi conquistado justamente pela visibilidade e reconhecimento em 2017 quando foi o melhor ator de curta-metragem brasileiro em Gramado por “Telentrega”, despertando a atenção da diretora Claudia Pinheiro.  

 

“Estou feliz demais. Quero agradecer a todos os atores que trabalharam comigo. Hoje, a gente fala muito de posicionamento, das pessoas ficarem em cima do muro, é sobre a importância de se posicionar e foi por eu me posicionar que esse filme nasceu. Eu era um moleque que morava na Penha e costumava ver o festival de Gramado como o ‘Oscar brasileiro’. E esse moleque ganhou hoje um ‘Oscar’ de melhor ator com longa brasileiro tendo como concorrente Paulo Miklos e Matheus Nachtergaele que eu sou muito fã, só agradecer demais”, exclamou.

 

A atriz Glória Pires, que já tem um troféu Oscarito - homenagem entregue em 2013 no 41º Festival de Cinema de Gramado -, conquistou agora seu primeiro Kikito pela atuação no drama policial “A Suspeita”, de Pedro Peregrino. Ela não pôde participar virtualmente da cerimônia pois estava no casamento da filha Cleo Pires. 

 

Quem representou a atriz foi a produtora Daniela Busoli, que leu um depoimento de Glória em agradecimento ao prêmio. “Parabenizo o festival pela sua 49ª edição homenageando com muita justiça os profissionais do audiovisual brasileiro, essa caminhada ininterrupta especialmente nesse momento é uma enorme inspiração. Agradeço a Daniela Busoli e ao Leonardo Lessa por terem me recebido tão generosamente nesse projeto criado por Luis Eduardo Soares e dirigido pelo grande parceiro de tantas aventuras criativas Pedro Peregrino. Agradeço a cada profissional que trouxe sua criativa contribuição ao projeto, especialmente a nossa montadora Joana Collier. A vida é feita de encontros e fazer cinema é reproduzir a vida contando histórias que nos fazem questionar e buscar saídas mesmo quando não parece haver uma”.


FONTE: DIÁRIO DE PERAMBUCO.



 

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