/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/O/i/ThMIbBRdCtU3qcU4sjxQ/selo-fake-crianca-esperanca.jpg)
É FAKE! / Reprodução do G1.
Circula nas redes sociais um texto que diz que a Globo repassa apenas 10% do que é arrecadado na campanha do Criança Esperança à Unesco e que isso foi revelado por um documento vazado pelo Wikileaks. É #FAKE.
O boato, que não é novo, tem voltado a circular em razão da 36ª edição do Criança Esperança. Um esclarecimento sobre o caso, porém, foi feito ainda em 2011 pela Unesco. Ou seja, dez anos atrás.
Houve, de fato, um documento vazado pelo Wikileaks, no chamado Cablegate, em meio a outros 250 mil das embaixadas dos Estados Unidos. Mas, em nenhum momento, ele acusa a Globo de ficar com 90% do dinheiro da campanha.
O documento, de setembro de 2006, registra, na verdade, o encontro do embaixador dos EUA com o chefe do escritório da Unesco no Brasil na época. Um dos assuntos discutidos foi a gestão do dinheiro obtido com o Criança Esperança pelo escritório regional da entidade. Na conversa, eles falam sobre uma taxa de serviço de até 10% cobrada pela Unesco sobre o total arrecadado.
A Globo, porém, não tem qualquer ingerência no manejo deste dinheiro. Isso porque as doações para o Criança Esperança são diretamente depositadas na conta administrada pela Unesco, que destina os recursos integralmente para projetos sociais implementados no Brasil. "Nenhuma doação do Criança Esperança passa pela Globo", diz a Unesco. Uma informação que é reiterada pela empresa.
O texto falso que circula nas redes sociais também diz que a Globo "usa crianças para pedir dinheiro e aumentar as isenções de imposto de renda". Isso não é verdade. A própria Unesco esclarece que, "por se tratar de uma agência das Nações Unidas, doações para a Unesco não são dedutíveis no Imposto de Renda, que veta supressão de contribuições feitas a organismos internacionais".
"Dessa forma, é inverídica a suposição de que a Globo obtém benefícios fiscais com a campanha Criança Esperança. A Globo, assim como a Unesco, não se beneficia de qualquer recurso de abatimento fiscal em função do Criança Esperança", diz a nota.
Por fim, a prova de que o boato não se sustenta são os projetos realizados ao longo de todos esses anos. "Todo ano, por meio do jornalismo e da grade de programação da emissora, a Globo e a Unesco divulgam para a sociedade o trabalho realizado pelos projetos sociais que recebem recursos da campanha Criança Esperança", informa a Unesco.
A mensagem falsa já foi alvo de checagens de diversas agências de verificação, como o Boatos.org, em 2016, a Agência Pública, em 2017, a Agência Lupa e o Estadão Verifica, em 2019, e o Aos Fatos, neste ano.
FONTE: G1.