
Deputados
estaduais aprovaram, nessa quinta-feira (26), em primeira discussão no
plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), uma Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) de autoria do governador Paulo Câmara
(PSB) para permitir a exploração do transporte ferroviário pelo governo
estadual.
Com a alteração, poderá ser viabilizada a construção do
ramal da Ferrovia Transnordestina até o Porto de Suape. Na prática, o
Estado terá liberação para assumir a obra da ferrovia.
Na votação de quinta-feira na Alepe, foram registrados 39 votos favoráveis e uma abstenção, do mandato coletivo Juntas (Psol).
De
acordo com a Assembleia Legislativa, a segunda discussão no plenário
será feita na próxima quinta-feira (2). Em seguida, caso seja aprovada
novamente, seguirá para a promulgação da Mesa Diretora da Casa.
De
acordo com o texto da PEC, o Governo de Pernambuco terá competência
para concessão, permissão ou autorização do transporte ferroviário que
atue exclusivamente no território do Estado.
Na justificativa, o
Poder Executivo argumenta que o novo dispositivo constitucional
“permitirá ampliar a competitividade logística com modal mais econômico e
sustentável, resultando em maiores oportunidades de emprego e renda
para os pernambucanos”.
“Temos uma ferrovia já construída, que
vai do interior do Piauí até o município de Custódia, no Sertão de
Pernambuco. Todos os estudos técnicos mostram que a conclusão da
Transnordestina até Suape é a opção mais viável, seja pelo percurso
menor, seja pelo custo da obra a ser finalizada”, afirmou Paulo Câmara,
quando enviou a PEC à Alepe, no início de agosto.
“A PEC é uma
iniciativa do governador Paulo Câmara que obteve apoio de todas as
principais lideranças do Estado. Já há, inclusive, investidores
interessados na ferrovia”, destacou a deputada Laura Gomes (PSB).
Segundo
o deputado Tony Gel (MDB), houve uma mudança na visão do Ministério da
Infraestrutura, que, anteriormente, tinha descartado a construção dessa
linha férrea.
“O ministro Tarcísio de Freitas disse, na quarta
(25), que o Governo Federal vai editar uma medida provisória para
viabilizar a construção do Ramal de Suape da Transnordestina”, comentou.
“Ainda assim, com a modificação da legislação local, teremos uma
alternativa para possibilitar essa obra”, completou.
Em
entrevista à Rádio Jornal, na quinta-feira (26), o presidente Jair
Bolsonaro (sem partido) disse que a questão de trazer o ramal da
Transnordestina para Suape é de competência da iniciativa privada.
"Não
é dinheiro do Governo Federal, são contratos que fazemos com a
iniciativa privada e esta visa, obviamente o lucro. Eu me comprometo com
vocês que vou entrar em detalhe sobre isso com a minha equipe. Esse é
um problema que se arrasta desde 2014, quando a obra foi paralisada. Nós
queremos concluí-la e atender ao Nordeste", frisou Bolsonaro.
Questão
em debate entre os poderes, o contrato de concessão da Transnordestina
pode ser ajustado para excluir o trecho que vai de Custódia, no Sertão
de Pernambuco, ao Porto de Suape. Esse trecho pernambucano poderá ser
objeto de outra parceria com a iniciativa privada.
Tarcísio de
Freitas havia dito ao jornal Valor Econômico que não haveria viabilidade
para a construção do ramal de Suape da ferrovia e que o Governo Federal
iria construir apenas o trecho até o Porto de Pecém, no Ceará.
A
declaração do ministro foi dada apesar de a instalação da ferrovia
estar mais adiantada em território pernambucano, e além de o trajeto até
Suape ser 92 quilômetros mais curto do que o percurso até Pecém.
A
construção e exploração da Ferrovia Transnordestina é uma concessão do
Governo Federal a um grupo investidor privado. A obra, iniciada em 2006,
prevê a ligação ferroviária entre municípios do interior do Piauí,
produtores de minério de ferro e soja, com os portos de Pecém, no Ceará,
e Suape, em Pernambuco.
A obra é feita com recursos da CSN,
Valec, Finor, BNDES, BNB e Sudene. A ferrovia terá capacidade para
transportar 30 milhões de toneladas de minério e grãos.
