Publicada em 27/09/2021 às 09h10.
Fenômeno atípico assustou moradores, afetou a visibilidade no trânsito e obrigou comerciantes a fecharem as portas.

Registros de Franca / Reprodução do google.
A cidade de Franca (cerca de 400
km de São Paulo) foi tomada por uma densa nuvem de poeira e forte ventania na
tarde deste domingo (26). O fenômeno atípico assustou moradores, afetou a
visibilidade no trânsito e obrigou comerciantes a fecharem as portas. Pessoas
relataram dificuldades para respirar.
Vídeos e fotos da nuvem de poeira
circularam imediatamente pelas redes sociais e grupos de WhatsApp. Moradores do
Jardim Consolação, Distrito Industrial, Parque dos Lima, Residencial Paraíso,
Vila Santa Cruz, Estação e Residencial Amazonas registraram a tempestade de
terra.
O comerciante Eduardo Rodrigues
Sanches, 56, foi levar o filho a um supermercado na Avenida Antônio Barbosa
Filho quando percebeu o céu escurecido na região do Franca Shopping. Em
seguida, tomou a rodovia Cândido Portinari, sentido Bairro Vera Cruz, e enfrentou
a tempestade de poeira durante o percurso.
"Foi uma cena apavorante, ficou tudo tomado pela poeira,
eu não enxergava nada na minha frente. Do lado muitas sacolas, folhas e papéis
estavam voando para todo lado e até o carro sacudia com o vento. Todo mundo
ligou o pisca alerta dos carros. Fiquei com medo porque a gente não pode
subestimar a força da natureza."
Em outro ponto da cidade, a esteticista Ana Luisa Flausino,
32, também foi surpreendida pela virada no tempo. Ela mora em um condomínio na
Vila Santa Cruz e estava deitada no sofá descansando quando escureceu de
repente.
"Estava até sol, mas ficou
escuro e pensei que era chuva. Quando olhei, a poeira já tinha tomado a região
toda do meu bairro. Foi uma sensação horrível de sufocamento porque parecia que
estava entrando poeira dentro de casa, estava com cheiro forte, muito forte
mesmo".
Moradora do Residencial Amazonas, a jornalista Ana Luisa
Silva, 38, disse que passou momentos de medo quando a cidade ficou encoberta
pela poeira e foi atingida por rajadas de vento.
"Pela janela, eu vi a nuvem de poeira vindo para a
direção do meu apartamento e fiquei bem assustada. Na verdade, parecia que o
mundo estava acabando, sabe? Quando encobriu o bairro, o condomínio onde eu
moro, fiquei com bastante medo. Foi questão de uns quatro minutos e ficou tudo
escuro", afirmou ela, que observou o fenômeno por volta das 16h30.
Neste mesmo horário, a analista de sistemas Nise Peres, 43,
moradora da Vila Nicácio estava na calçada com a filha de 13 anos e dois sobrinhos,
um com 5 anos, outro com 1, quando percebeu a nuvem de poeira se aproximando.
Ela conta que não conseguiu distinguir se era chuva até que sentiu o gosto de
terra na boca.
"Eu olhei para o bairro da Estação e vi nuvens em tons
de rosa amarronzado vindo em nossa direção. De repente, as folhas que estavam
no chão começaram a voar e as árvores balançando muito forte. Aí eu senti gosto
de poeira. Corri para fechar a casa e colocar as crianças para dentro. A casa
toda está suja e justamente neste momento com falta d´água". Após a nuvem
de poeira, choveu na cidade com relâmpagos e trovoadas.
No início da noite, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico
do Estado de São Paulo), que mantém racionamento de água desde o dia 2 de
setembro, emitiu comunicado em que recomenda aos moradores de Franca que não
desperdicem água na limpeza das casas, quintais e calçadas, mesmo com a grande
quantidade de poeira e fuligem geradas pelo fenômeno.
"Sabemos que o evento atípico de hoje (26/9) trouxe uma
grande quantidade de poeira e fuligem para dentro das casas. Mas o município
passa por um período de severa estiagem, com rodízio no abastecimento de água.
É preciso que todos que usem a água de forma consciente, sem
desperdícios", diz trecho da nota.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.
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