Publicada em 29/09/2021 às 09h45.
É #FAKE cronograma de divulgação de cepas do novo coronavírus atribuído à OMS
OMS afirma que a tabela é falsa. Site da entidade mostra que o rastreamento de variantes é feito de forma séria, científica e transparente, com vários parceiros globais.


É FAKE! / Reprodução do G1.


Circula em redes sociais uma mensagem que mostra uma tabela com os nomes das variantes do vírus Sars-CoV-2 e um calendário que estabelece as respectivas datas de divulgação delas. A figura circula junto à alegação de que o cronograma foi feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades com objetivo de tornar a vacinação periódica e intoxicar as pessoas com grafeno para rastreá-las pelo 5G. É #FAKE.

 

O g1 mostrou a tabela para a OMS, que afirma que a imagem é totalmente falsa. Segundo a entidade, está claro em seu site (que pode ser acessado pelo link) como é feito o rastreamento de variantes do Sars-Cov -2.


"Todos os vírus, incluindo o Sars-Cov-2, o vírus que causa a Covid-19, mudam com o tempo", diz a OMS. "Para auxiliar nas discussões públicas de variantes, a OMS reuniu um grupo de cientistas do Grupo de Trabalho de Evolução do Vírus da OMS, a rede de laboratórios de referência Covid-19 da OMS, representantes de plataformas como GISAIDNextstrainPango e especialistas adicionais em virologia, nomenclatura microbiana e comunicação de vários países e agências", afirma.


O grupo de especialistas convocado pela OMS recomendou o uso de letras do alfabeto grego. As escolhas levam em conta rótulos fáceis de pronunciar e que não sejam estigmatizantes.


A médica, imunologista e ex-diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) Ester Sabino, integrante da equipe que sequenciou o genoma do conoravírus no Brasil no início da pandemia, já explicou ao Fato ou Fake que a classificação das variantes é feita por sequenciamento e usa a mesma lógica usada para classificar e nomear espécies. Esta técnica se chama análise filogenética.


Os nomes científicos continuam a existir, porque fornecem dados úteis aos especialistas, mas a OMS não usa esses nomes em sua comunicação diária.


Um outro detalhe que denota a falsidade do cronograma é que as datas nem sequer batem. A variante zeta, que foi detectada no Brasil em outubro de 2020, aparece na tabela com a data "agosto de 2021". A variante delta, que foi sequenciada na Índia também em outubro do ano passado, aparece na imagem falsa com a data "junho de 2021". Além disso, as variantes lambda e mu, que aparecem com as datas de divulgação "janeiro e fevereiro de 2022", por exemplo, já são monitoradas pela OMS e foram, inclusive, classificadas pela entidade.


Outras duas organizações que aparecem com o logo na imagem falsa (o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates) também negam terem feito tal cronograma.


O boato já foi checado por diversas agências ao redor do mundo, como AFPIndia TodayObservadorAgência Lupa e Chequeado.


Sobre as outras alegações na mensagem viral, o Fato ou Fake já demonstrou que não existe grafeno em vacinas e desmentiu que os imunizantes têm conexão com redes 5G,


FONTE: G1.




 

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