Publicada em 11/11/2021 às 09h19.
Dia dos Solteiros: data chinesa de promoções chega ao Brasil no 'esquenta' da Black Friday
Embora o nome não tenha caído no gosto dos consumidores brasileiros, promoções devem ser vistas por aqui também nesta quinta-feira.

 

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução do google.


Em meio à disputa do e-commerce entre as varejistas brasileiras e as gigantes asiáticas, uma nova data comercial ganha força a cada ano: o Dia dos Solteiros, celebrado nesta quinta-feira na China.


Ainda que o evento seja mais voltado para o e-commerce e os jovens, especialistas veem espaço para abocanhar novos mercados. E, para não deixar a mercadoria encalhar, descontos não bastam: as varejistas recorrem a campanhas com celebridades, cashback, frete grátis e lives.


Conhecido como 11.11 ou Double Eleven (duplo onze), a data, que já existia na China, foi popularizada pela gigante do varejo chinês Alibaba.


Lá, se tornou tão forte que, no ano passado, o faturamento global chegou a US$ 74 bilhões (R$ 406 bilhões), “mais de oito vezes tudo que todos os e-commerces venderam na Black Friday”, diz Felipe Zmoginski, chefe de comunicação do AliExpress.


No Brasil, apesar de o consumidor ser seduzido pelas ofertas, o nome não pegou.


"No Brasil, as pessoas, em geral, não têm orgulho de serem solteiras, é um país relacional. Mas isso pode ser ressignificado. Trazer essa cultura oriental ainda é muito recente, estamos começando a experimentar o marketplace chinês, então, as marcas estão trazendo uma nova data comercial com outro nome", explica a professora de pesquisa e comportamento do consumidor da ESPM Rio, Karine Karam.


De fato, exceto pela AliExpress, do Alibaba, as outras marcas não atrelam suas promoções ao dia. Chamam de “esquenta”, remetendo à Black Friday, que este ano será no próximo dia 26.


Para Thiago Godoy, coordenador de educação financeira da Xpeed School, o evento é uma síntese da força do mercado asiático, que está só no início da conquista de espaço no Brasil. Ele avalia que há muito espaço para crescer no mercado nacional:


"O brasileiro não gosta do Dia dos Solteiros, mas sim do desconto. Há um espaço para as empresas venderem mais. Lá fora a data está muito ligada ao jovem e à inovação. Mas vejo oportunidades para várias idades e outros produtos, como itens de autocuidado."


Uma pesquisa feita pela plataforma Promobit mostra que, este ano, a preferência de compra para o Dia dos Solteiros inclui eletrônicos e gadgets, itens para casa inteligente, smartphones, utensílios domésticos e games.


A AliExpress, que considera a data mais relevante que a Black Friday, reforçou sua logística de distribuição e promete descontos. A gigante asiática projeta que este ano será melhor do que 2020, já que em agosto abriu sua plataforma a vendedores brasileiros.


Outra plataforma asiática forte no Brasil, a Shopee, de Cingapura, diz não ter nada específico para a data. Mas, sob o nome de Esquenta Black Friday, hoje haverá frete grátis sem mínimo de compras e R$ 3 milhões em vouchers de desconto.


No varejo verde e amarelo, o Magazine Luiza criou uma ação entre ontem e hoje com 15 influenciadores do Tik Tok. A companhia vai dar até 50% de cashback, totalizando R$ 5 milhões em dinheiro de volta aos clientes que comprarem os itens selecionados no aplicativo da empresa.


Segundo o diretor de marketing, Bernardo Leão, o objetivo é tornar o 11 de novembro uma data tradicional de compras para os brasileiros.


Já a Americanas optou por uma live hoje com influenciadores convidados, de ex-BBBs à equipe de eSports Los Grandes, além de cupons e ofertas antecipadas de Black Friday.


O Mercado Livre, apesar de considerar a Black Friday sua principal data, fará hoje um festival de produtos internacionais, inclusive com frete grátis para itens selecionados.


E para quem pretende deixar de ser solteiro, a PicPay oferece, até domingo, cashback de 50% para quem assinar o app de relacionamentos Tinder por meio da plataforma de pagamentos.


"Acredito que o Double Eleven vai ser muito mais forte este ano, se comparado com o ano passado, por conta do grande investimento em marketing feito pelas lojas chinesas. E a entrada de novos players, como a Shopee, também contribui para o aumento do interesse das pessoas na data", afirma o CEO da Promobit, Fabio Carneiro.


FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.



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